A Aurora Boreal está entre os mais fenômenos naturais mais extraordinários do nosso planeta. O espetáculo de luzes e cores dançando nos céus desperta a curiosidade e o desejo de muitos viajantes, que cruzam longas distâncias para conseguir testemunhar esse acontecimento celeste.

Mas a principal característica das auroras boreais é que elas são imprevisíveis. Como tantos outros fenômenos naturais, as auroras não obedecem aos nossos desejos e não existem garantias de que será possível avistá-las. Claro que estar em uma zona apropriada sob as condições climáticas ideais já é meio caminho andado.

Confira o nosso guia explicando o que é esse fenômeno, como e quando encontrá-lo, e os melhores destinos para observar essas cortinas de luz em tons de verde, roxo e vermelho.

 

O que é a Aurora Boreal?

Resumidamente, a aurora é um efeito luminoso provocado pela interação dos ventos solares, que conduzem partículas carregadas de energia, com o campo magnético do planeta. Quando essas partículas provenientes do Sol entram em contato com a atmosfera terrestre, elas são atraídas para os pólos por causa das forças magnéticas, onde se chocam com elementos como oxigênio e nitrogênio.

A “chuva” de partículas eleva o nível de energia desses átomos, que, ao voltarem ao seu estado natural, liberam fótons cujas colorações dependem do tipo de gás e da altitude em que ocorreu o fenômeno.

Por esse motivo, existem auroras boreais de diversas cores. A interação com o oxigênio  em altas camadas atmosféricas costuma gerar luzes verdes, enquanto o nitrogênio está geralmente associado a auroras vermelhas e violetas.

Como você bem pode imaginar, esse fenômeno ocorre em ambos os pólos da terra. Em latitudes do hemisfério norte é conhecida como aurora boreal, nome criado por  Galileu Galilei em 1619, em referência à deusa romana do amanhecer, Aurora, e o deus grego dos ventos nortes, Bóreas. Já no hemisfério sul, leva o nome de aurora austral, batizada pelo explorador James Cook.

 

 

 

Quando ver a Aurora Boreal?

Para poder ver esse fenômeno luminoso, é necessário que o céu esteja bastante escuro. No Hemisfério Norte, isso ocorre principalmente entre os meses de setembro e abril (outono, inverno e comecinho da primavera). No resto do ano, os dias de maior duração e o sol da meia noite impossibilitam a caça à aurora boreal.

Em setembro e outubro, as temperaturas são mais amenas, as noites ainda curtas e é improvável se deparar com neve. Em novembro e dezembro, as temperaturas já são negativas, há uma maior probabilidade de nuvens e nevascas e maior tempo de escuridão. Em janeiro e fevereiro, as temperaturas são as mais baixas, a paisagem é quase inteiramente branca pela neve e há pouquíssimas horas de luz. Em março e abril, as temperaturas voltam a subir, os dias começam a ficar mais longos e a neve começa a derreter.

 

Como ver a Aurora Boreal?

A Aurora Boreal estar presente é uma coisa, conseguir vê-la é outra. Além das condições necessárias para que o fenômeno ocorra, você deve estar atento às circunstâncias do momento de observação.

 

  • Condições da atividade solar

Esse é o critério primordial: sem atividade eletromagnética, sequer temos aurora. Antes de sair para uma aventura congelante, verifique o KP index, que mensura como a atividade solar perturba o campo magnético da terra. Se o índice apontar um número maior de dois, maiores as chances de avistar a Aurora Boreal.

 

  • Condições climáticas

Um céu limpo e sem nuvens certamente é um cenário mais favorável para identificar as luzes da aurora.

 

  • Condições de luminosidade da lua

Em dias de lua cheia no céu, você vê menos estrelas, certo? Isso acontece porque a luminosidade do nosso satélite natural interfere na observação de outros astros. O mesmo ocorre com a Aurora Boreal: a luz da lua contrasta com as luzes do fenômeno. Privilegie os 5 dias anteriores e posteriores à lua nova para a sua caçada.

 

  • Condições de poluição luminosa

As luzes nórdicas não combinam com as luzes da cidade. Quanto maior a iluminação artificial e a poluição luminosa, piores as condições de visibilidade. Afaste-se o máximo que puder de centros urbanos e povoados.

 

Onde ver a Aurora Boreal?

O primeiro passo para sair em busca da Aurora Boreal é estar em um dos países dentro da zona do Círculo Polar Ártico: Rússia, Finlândia, Suécia, Noruega, Dinamarca (sim!), Islândia, Canadá e Estados Unidos. Quanto mais ao norte da latitude 66, melhor.

Como a Terra está em constante rotação, o local em que uma atividade solar terá seu ápice é uma grande incógnita. As chances de presenciar o fenômeno é a mesma em qualquer um desses países, uma vez que a geografia e o clima não interferem em sua ocorrência. O que pode mudar de um local para o outro são as condições de visibilidade.

Outro ponto importante a considerar é a infraestrutura de cada lugar, uma vez que a visualização da aurora se dá geralmente em lugares remotos. Esse é um fator que pode tornar a sua viagem mais ou menos confortável. O ideal é usar uma cidade maior como base e fazer expedições guiadas ou por conta própria para localidades próximas.

 

 

Os melhores destinos para ver a Aurora Boreal nos Países Nórdicos

Tromsø, Noruega

Essa cidade norueguesa ficou conhecida como a capital da Aurora Boreal, e não por acaso! Ela oferece todas as infraestrutura necessária para que o turista possa ir de encontro ao fenômeno luminoso, com o mínimo de perrengue possível. Conta com um aeroporto internacional, uma oferta hoteleira em expansão e uma grande variedade de restaurantes e comércio. Inúmeras agências oferecem o passeio de caça à aurora, seja uma excursão em ônibus turístico ou um tour privativo para grupos pequenos.

Foto de Lightscape, via Unsplash.


Como a Tromsø tem cerca de 75 mil habitantes e uma significativa iluminação artificial, quanto mais você se afastar, melhor. Entre os lugares mais bonitos nos arredores estão o
Lyngenfjord, um belíssimo fiorde a 3h de distância, e Sommarøy, um vilarejo de pescadores a 1h10 de carro.



 

Ilhas Lofoten, Noruega

Arquipélago norueguês de natureza impressionante, as ilhas Lofoten se caracterizam por montanhas majestosas, fiordes profundos, enseadas protegidas e faixas litorâneas de beleza singular. Vilarejos de pescadores que ainda não entraram para a rota turística complementam a diversidade de paisagens na região, criando cenários espetaculares.

Foto de Johannes Groll, via Unsplash

Para ficar ainda mais bonito, somente sob as luzes verdes da aurora. A Visit Norway reúne todos os operadores turísticos da região, que realizam observações noturnas em caminhadas, cavalgadas e até passeios de barco.

Svolvær é o ponto de partida para a maioria das excursões, assim como a cidade do arquipélago que melhores condições de hospedagem, transporte e alimentação oferece ao turista. Uma das experiências mais autênticas é ficar em um rorbuer, uma das antigas cabanas dos pescadores, hoje restauradas e convertidas em acomodações modernas.

 

Kiruna, Suécia

Situada na lapônia sueca, a cidade de Kiruna, em si, não é particularmente charmosa. De atividade mineira e sem grandes atrativos, serve mais como uma base no extremo norte da Suécia do que qualquer outra coisa. Tem seu próprio aeroporto regional, mas o número de voos é bastante limitado; conta ainda com estação de trem e rodoviária. A oferta de hotéis na cidade e em seus arredores é bastante variada: você encontra desde hotéis luxuosos, como o Camp Ripan, de quatro estrelas, até lodges mais rústicos.

Um dos grandes destaques da hotelaria da região é o Icehotel, no povoadinho de Jukkasjärvi, a 18km do centro. Construído inteiramente de gelo e neve pela primeira vez em 1989, esse foi o grande pioneiro desse tipo de construção. Durante décadas, o hotel era esculpido no inverno para então ser derretido no final da temporada. Hoje, uma parte da estrutura é preservada, incluindo bar, galeria de arte e 10 suítes de luxo, são mantidas independente da época do ano.



Confira as principais expedições de caça à aurora em Kiruna, desde passeios de snowmobile até trenós na neve puxados por cachorros.

 

Abisko, Suécia

A 94km de Kiruna, o povoado de Abisko tem a reputação de ser um dos principais destinos de observação da aurora boreal devido ao seu microclima particular, que oferece menos precipitação do que em outros locais dentro da zona ártica, possibilitando menos nuvens e um céu mais limpo.

As belezas do Parque Nacional Abisko servem de cenário para a aurora boreal. Lá, o Aurora Sky Skation, situado no topo da montanha Nuolja, recebe os visitantes que chegam de teleférico e têm a possibilidade de desfrutar de um maravilhoso jantar antes do espetáculo de luzes.

Foto via Aurora Sky Station

Outra experiência interessante é oferecida pelo Lights Over Lapland: expedições fotográficas para captar as luzes neon no céu. Pequenos grupos são equipados com câmeras profissionais e guiados por fotógrafos especializados, que ensinam técnicas básicas para fotografar a aurora boreal.

 

Rovaniemi, Finlândia

Assim como Tromsø na Noruega e Kiruna na Suécia, Rovaniemi é a capital da lapônia finlandesa e tem uma população de 62 mil habitantes. Oferece ótima infraestrutura turística e de transportes, incluindo aeroporto, estação de trem e de ônibus. A cidade é também conhecida como a terra do Papai Noel: sua vila pode ser visitada e suas renas acariciadas.

A área urbana é bastante extensa e existem vários pontos de observação interessantes nos seus entornos. O mais central deles é o Arktikum, um museu e centro de ciências que está localizado ao lado do parque municipal, às margens de um lago. A ilha Koivusaari, embora tenha um acesso mais complicado, oferece ângulos de 360 graus: na parte sul, é possível ver as cores da aurora sobre as luzes da cidade, e na parte norte se têm uma vista dos bosques e da natureza (quase) intocada. Para apreciar o espetáculo da aurora de cima, o morro Ounasvaara oferece um belo panorama (foto abaixo).

Foto via Visit Rovaniemi

 



 

Kilpisjärvi, Finlândia

Kilpisjärvi é um vilarejo finlandês, mas por meras tecnicalidades: a tríplice fronteira entre Noruega, Suécia e Finlândia está ali do lado, a poucos quilômetros. A região é minimamente povoada e seus habitantes são principalmente os sami (ou lapão), o grupo indígena que habitam essas terras nórdicas há milhares de anos. Por isso, uma viagem para essa zona remota é uma oportunidade de imersão em sua cultura.

Foto via VisitFinland

Um local tão isolado também garante ótimas condições de visibilidade, uma vez que a poluição luminosa é mínima. As luzes nórdicas são avistadas em até 200 noites por ano! Por isso mesmo, muitas expedições de caça à aurora boreal de média duração (10 a 15 dias) incluem Kilpisjärvi em seus itinerários, devido à proximidade com a fronteira norueguesa. Para você ter uma ideia, Kilpisjärvi está a apenas 162km de Tromsø, embora esteja a mais de 420km de Rovaniemi.

 

Reykjavík, Islândia

As paisagens dramáticas da Islândia, incluindo a península Snæfelsness, a lagoa glacial Jökulsárlón e a praia de areia preta Reynisfjara, se tornam ainda mais espetaculares sob o céu iluminado pelas luzes da aurora boreal. Como a maior infraestrutura turística está centralizada na cidade de Reykjavík, é de lá que partem a maioria dos tours de observação da aurora.

Foto de Joshua Earle, via Unsplash

A Guide to Iceland, empresa com a qual reservei os passeios que fiz durante a minha viagem pelo país, escreveu um guia completo sobre como encontrar a Aurora Boreal na Islândia.

Eu infelizmente não tive a oportunidade de avistar as luzes, porque fui no começo de setembro. Por isso, se você quer maximizar suas chances de ver esse fenômeno natural, reserve suas passagens para a partir de outubro até março.



 

Groenlândia, Dinamarca

Você realmente achou que a Dinamarca ia ser o único dos países nórdicos a ficar de fora dessa brincadeira? Negativo! A Groenlândia, situada quase inteiramente dentro da zona do Círculo Polar Ártico, pode até ser uma região autônoma, mas ainda faz parte da Dinamarca!

Fotos via Guide to Greenland

Vamos ser sinceros, o acesso é bastante difícil e os preços estratosféricos. Mas a possibilidade de ver um céu com tons de verde, vermelho e púrpura sobre um mar de icebergs parece mais do que recompensadora, não?

Essa é a imagem que Ilulissat, o principal destino turístico na Groenlândia, oferece. Enormes blocos de gelo se desprendem do massivo fiorde nas margens dessa cidade. A porta de entrada para as belezas do país, no entanto, é Kangerlussuaq, que também tem ótimas condições de observação da aurora. A Guide to Greenland apresenta todos os tours realizados em diferentes regiões desse país congelado.

 

 

Em qual desses destinos você gostaria de admirar as luzes da aurora?

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