Existem várias formas de dividir a Europa: definições geográficas, políticas ou sociais segmentam os 50 países do continente europeu em diferentes configurações. Muitas dessas delimitações tem interpretações mais ou menos abrangentes, frequentemente contraditórias e quase sempre influenciadas por fatores geopolíticos e ideológicos.

Para um viajante, o importante não é saber traçar minuciosamente um mapa do continente europeu, colocando em cada lugar o país e as cidades correspondentes. Porém, conhecer essas distintas regiões é importante para escolher destinos de viagem e planejar itinerários, porque possibilita ter uma ideia espacial da Europa e compreender contextos históricos, fatores culturais e paisagens naturais predominantes naquele território.

Inclusive, minha recomendação ao fazer um roteiro de viagem pela Europa é sempre escolher uma região principal, para não perder muito tempo viajando de um lado para o outro. Mais do que solucionar questões práticas, isso também permite uma maior imersão cultural naquele lugar e a oportunidade de conhecer a fundo as particularidades de cada região.

 

Como é dividido o continente europeu?

Um dos principais critérios para classificar o continente europeu é o utilizado pelas Nações Unidas, baseado principalmente em uma divisão geográfica. São quatro macrorregiões: Europa Meridional, Europa Ocidental, Europa Oriental e Europa Setentrional. A seguir, apresentamos cada uma delas, subdivididas em regiões ainda menores, com os seus respectivos países.

No mapa abaixo, você tem em verde a Europa Meridional,  em azul claro a Europa Ocidental, em azul escuro a Europa Setentrional e em vermelho a Europa Oriental. Tomamos a liberdade de fazer algumas alterações para a melhor compreensão dos viajantes. Assim, consideramos alguns países dos Bálcãs como Europa Oriental em vez de Meridional e as ilhas da Grã-Bretanha e da Irlanda como Europa Ocidental em vez de Setentrional.

 

Europa Meridional

Banhada pelo Mar Mediterrâneo, a Europa Meridional compreende os países situados no sul do continente europeu. Geograficamente, pode-se dizer que abrange os territórios de três importantes penínsulas: a Ibérica, a Itálica e a Balcânica.

É o berço de importantes civilizações do mundo antigo, como os fenícios, cartagineses, romanos e gregos. Inclusive, o nome do continente europeu vem da princesa fenícia Europa, que, na mitologia grega, era raptada por um Zeus apaixonado e disfarçado na forma de um touro branco.

O Coliseu, um dos legados dos romanos

O Coliseu, um dos legados dos romanos

Além disso, foi o epicentro do Renascimento, um importante movimento artístico, cultural e científico, que marcou a passagem da Idade Média para a Idade Moderna. Por isso, a região teve enorme influência na literatura, na filosofia e no pensamento ocidental. Todo esse legado histórico se reflete no patrimônio cultural desses países ao redor do mar Mediterrâneo.

O clima temperado mediterrâneo propicia boas condições de cultivo, motivo pelo qual a agricultura é uma atividade econômica importante. Na região se planta, sobretudo, a videira, o trigo e a oliveira; frutas cítricas e legumes também estão presentes nos campos. Esses produtos, e também os peixes e frutos do mar, são a base da famosa gastronomia local e da dieta mediterrânea. Isso faz desta uma boa região para os prazeres à mesa.

Península Ibérica

No extremo sudoeste da Europa, a Península Ibérica é formada pelos países Portugal, Espanha, Andorra e pelo território britânico ultramarino de Gibraltar. Está ligada ao restante do continente pela cordilheira dos Pirineus, na fronteira com a França. A parte mais ao sul da península está separada do continente africano pelo Estreito de Gibraltar, com apenas 14 quilômetros.

Montserrat, mosteiro nos arredores de Barcelona

Montserrat, mosteiro nos arredores de Barcelona

Península Itálica

Também conhecida como Península Apenina (por causa da cadeia montanhosa de mesmo nome), a Península Itálica corresponde, como bem sugere o nome, à maior parte do território da Itália. O restante é ocupado por dois estados independentes (e bem pequeninos): a República de San Marino, pertinho da cidade italiana de Rimini, e a Cidade do Vaticano, em Roma. A República de Malta, numa ilha ao sul da Sicília, também faz parte da região.

Manarola, um dos vilarejos de Cinque Terre, na Italia

Manarola, um dos vilarejos de Cinque Terre, na Italia

Península Balcânica

A terceira e a mais oriental das penínsulas, essa região no sudeste europeu corresponde a vários países conhecidos como os Bálcãs. No critério utilizado, esses países seriam também considerados meridionais. Porém, por uma questão de similaridade histórica — boa parte dos Bálcãs teve influência de povos eslavos na Idade Média e esteve sob regimes políticos socialistas no século 20 —, preferimos incluir esses países como Europa Oriental (veja mais a seguir).

A exceção é a Grécia e a porção européia da Turquia, que também tem uma parte do seu território no continente asiático. O Chipre, uma pequena ilha entre a costa da Turquia, da Síria e do Líbano, completa o grupo. Essa região sempre foi, historicamente, uma fronteira entre o mundo Oriental e Ocidental.

Praia na ilha de Cefalônia, na Grécia

Praia na ilha de Cefalônia, na Grécia

Europa Ocidental

A Europa Ocidental o reúne países no oeste e centro do continente europeu. Pelo menos por enquanto, quase todos estão politica e economicamente integrados à União Europeia (embora nem todos façam parte do Espaço Schengen). São eles: França, Mônaco, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, Alemanha, Suíça, Liechtenstein, Áustria, Reino Unido e Irlanda.

É a região com maior desenvolvimento econômico, fortemente industrializada, e com alguns dos melhores indicadores sociais europeus. Turisticamente, inclui alguns dos roteiros mais tradicionais e os destinos mais visitados. Para melhor explorar e descobrir as nuances de cada região, subdividimos os 11 países em áreas de influência comum.

Mont Saint Michel, atrativo na Normandia, no norte da França

Mont Saint Michel, atrativo na Normandia, França

França e Mônaco

A França é uma das grandes potências da região e sua capital, Paris, exerce um importante papel como espelho cultural.

É o país da gastronomia, da arte e do savoir vivre.

O Principado de Mônaco é um enclave em seu território, ao sul, próximo à Nice.

 

Países Germânicos

Esses países — Alemanha, Suíça, Liechtenstein e Áustria — se encontram na parte central do continente, nas imediações dos Alpes. Têm em comum a ancestralidade dos povos germânicos e a influência destes sobre o seu idioma. Em todos esses países, o alemão é o principal idioma, embora na Suíça não seja a única língua oficial.

Vale do Mosel, na Alemanha

Vale do Mosel, na Alemanha

Benelux

Nome formado pela inicial dos três países — Bélgica, Holanda (Netherlands, em inglês) e Luxemburgo —, o Benelux é um bloco econômico criado em 1960 para  eliminar barreiras alfandegárias e estimular o mercado. Essa área de livre comércio, inclusive, seria uma dos precursoras da União Europeia. Hoje, se usa o termo de forma mais genérica para designar a geografia, cultura ou economia do agrupamento desses três países.

Essa região corresponde aos Países Baixos, terras de baixíssima altitude, muitas vezes abaixo do nível do mar, que estiveram unidas a maior parte de sua história. Como a Holanda também tem como nome oficial Reino Unido dos Países Baixos, é fácil se confundir. Mas não é por acaso que todo o norte da Bélgica, chamado de Flandres, fala um dialeto do holandês, o flamengo.

Arquitetura típica na Holanda

Arquitetura típica na Holanda

Reino Unido e Irlanda

Por vezes considerados também como países setentrionais, o Reino Unido e a Irlanda estão situados em duas ilhas a noroeste do continente europeu: a Grã-Bretanha e a Irlanda. A primeira abriga a Inglaterra, a Escócia e o País de Gales, enquanto a segunda compreende os territórios da República da Irlanda e da Irlanda do Norte, esta uma nação que pertence, junto com os países da ilha vizinha, ao Reino Unido.

 

 

Europa Setentrional

Essa região corresponde aos países do norte do continente europeu, localizados ao redor do Mar do Norte e do Mar Báltico. Geograficamente, se destacam a Península Escandinava, a Península Jutlândia e as ilhas que formam a Dinamarca e a porção continental ao leste.

Também se deve considerar os territórios mais afastados da Groenlândia e das Ilhas Faroé, regiões autônomas parte do Reino da Dinamarca, e de outras ilhas, como a ártica Svalbard, pertencente à Noruega. Nem é preciso lembrar que essa é a porção mais gelada do continente, né?

Países Nórdicos

A Península Escandinávia é formada pela Noruega, Suécia e um pedacinho do norte da Finlândia, onde se encontra a Lapônia. Para além da definição geográfica, a Dinamarca entra no jogo pela história em comum com esses países. Já a Finlândia não compartilha a mesma herança étnica e cultural, motivo pelo qual não é considerada um país escandinavo. Porém, todas essas nações, e também a Islândia, têm muitas afinidades culturais e sistemas político-econômicos similares: juntos, formam os Países Nórdicos.

Países Bálticos

Em 1990, vários territórios que pertenciam à União Soviética se tornaram independentes e integraram a parte setentrional do continente europeu: Lituânia, Letônia e Estônia. Vários fatores econômicos, étnicos e culturais foram responsáveis por a união desses países aos nórdicos.

Na questão histórica, por exemplo, boa parte da Letônia e Lituânia, antes de ser incorporada ao Império Russo no século 18, já havia estado sob a autoridade do Império Sueco. Da mesma forma, a Estônia também tem vários elementos culturais em comum com a Finlândia. O mais curioso deles é a língua, que, diferente de outros países nórdicos, é de origem urálica.

Arquitetura típica de Tallinn, capital da Estônia, um dos países bálticos do continente europeu

Tallinn, capital da Estônia, e sua singular arquitetura

 

 

Europa Oriental

A Europa Oriental, localizada entre o centro e o leste do continente europeu, reúne todos aqueles países que estiveram sob a influência socialista da antiga União Soviética. Remanescente do período da Guerra Fria, ainda hoje esse é um termo muitas vezes utilizado de forma pejorativa, para indicar uma região que seria menos desenvolvida social e economicamente, em relação à parte ocidental.

A verdade é que esses países, apesar da controversa herança comunista e dos conflitos étnicos e por independência, têm uma rico passado e merecem ser conhecidos. Além da história recente, esses países compartilham também suas origens, os povos eslavos. O turismo por aqui, com a exceção de algumas rotas turísticas já consagradas na República Checa, na Hungria e na Croácia, está recém começando e reserva muitas surpresas aos viajantes.

Países do Leste Europeu

Antigos satélites soviéticos, República Tcheca, Polônia, Hungria, Eslováquia, Romênia e Bulgária passam por importantes transformações em suas economias de transição. Todos os países já integram a União Europeia, embora somente a Eslováquia já tenha adotado o euro.

Por esse motivo, ainda é relativamente barato descobrir as belezas dessa região, conhecer seu patrimônio invejável e entender as marcas culturais deixadas por sistemas autoritários.

A belíssima Praga, no Leste Europeu

A belíssima Praga, a queridinha do Leste Europeu

Países dos Bálcãs

A antiga Iugoslávia, mais do que um país, era um verdadeiro caldeirão fervilhando. Situada na península balcânica, nela coabitavam seis etnias diferentes e três religiões rivais (católica, ortodoxa e islâmica), que se mantinham unidas no mesmo território graças ao controle autoritário e repressivo de um ditador, Josip Tito. Qual não foi a surpresa quando, com o colapso do comunismo, eclodiu uma mortífera guerra civil.

Após muitos conflitos, finalmente se alcançou um equilíbrio, com seis países: Eslovênia, Croácia, Bósnia, Sérvia, Montenegro e Macedônia. O Kosovo, que em 2008 declarou a sua independência da Sérvia, já teve o seu reconhecimento como nação por inúmeros países (mas não pelo Brasil!). Por fim, a Albânia, que se manteve à parte das disputas entre seus vizinhos, também integra os Bálcãs.

Recentemente, o turismo nessa região vem crescendo pela repercussão de suas belíssimas paisagens litorâneas. À beira do Mediterrâneo, a Croácia já teve seu litoral e suas ilhas descobertas pelos brasileiros. Resta ver qual desses fascinantes países será o próximo a conquistar os viajantes.

Kotor, em Montenegro, é uma das surpresas da região dos Bálcãs no continente europeu

Kotor, em Montenegro, é uma das surpresas da região dos Bálcãs

Países do Extremo Oriente

A Rússia, o maior país do mundo, está localizada no norte da Eurásia e tem, portanto, uma parte de seu território no continente europeu. Por convenção, a fronteira está na cordilheira dos Montes Urais e no Mar Cáspio. Dentro dessa definição, entrariam para a Europa também os países do Cáucaso, como Geórgia, Armênia e Azerbaijão.

Além disso, temos ainda a Bielorrússia e a Ucrânia, países fronteiriços com a Rússia que, apesar de sua independência e gradual liberalização econômica, ainda estão bastante sujeitos à influência desse país. A pequenina Moldávia, escondida entre a Ucrânia e a Romênia, quase nunca é lembrada como parte do continente europeu.

Kiev, no extremo oriente do continente europeu

Kiev, capital da Ucrânia