A Dinamarca não está entre os destinos mais populares do mundo, mas só os que já estiveram aqui sabem a riqueza que um lugar como esse agrega na bagagem de um viajante.

Muito se ouve falar da boa fama do pequeno país escandinavo: alto índice de bem estar social e econômico, igualdade, sustentabilidade, baixa corrupção e a tão famoso título de país mais feliz do mundo. Mas títulos a parte, é um lugar rico em tradições e costumes.

Geografia

Localizada no norte europeu, faz parte da escandinávia e está delimitada ao norte pela Noruega, noroeste pela Suécia e ao sul pela Alemanha. A Groenlândia e Ilhas Faroé também são consideradas parte do Reino da Dinamarca, mas essas no entanto são regiões autônomas com governo próprio.

Geograficamente é composta por três grandes ilhas, sendo elas: Zelândia (Sjælland), Fiônia (Fyn) e Jutlândia (Jylland) e mais de 400 outras ilhas.

A maioria dos turistas visitam principalmente a Zelândia, onde está a capital Copenhague. Um lugar cheio de história, com um lindo centro, muitos museus, bons restaurantes, cafés e vida noturna. Em Fiônia, o maior foco está em Odense, que foi residência de Hans Christian Andersen ( um dos maiores escritores de literatura infantil do mundo) e também graciosos vilarejos. Por último em Jutlândia onde as paisagens e natureza são as mais lindas, as cidades principais são Ålborg e Århus. 

Há muitas piadinhas de que o país é plano como uma panqueca e de fato a montanha mais alta, Møllehøj, tem apenas 170,86 m. O forte definitivamente não está nas montanhas mas por outro lado, a natureza se expressa em lindas florestas e praias. Diga-se de passagem a Dinamarca possui mais de 7,300 km de costa litorânea e você nunca ficará mais de 50km longe de uma praia.

Clima

As estações são bem marcadas e é possível ver a transformação das estações nitidamente quando for fazer caminhada no parque mais próximo.

Inverno: Os meses mais frios são Janeiro e Fevereiro. Temperaturas variam de -5º a 10ºC e pode ventar bastante. Os dias são curtos e escuros, mas comparado a outros países escandinavos, aqui o inverno é menos severo.

O verão é no geral ensolarado e quente, mas alguns verões são marcados pela chuva. A temperatura varia entre 15º e 25º C.

Essa é a época do ano em que os dinamarqueses dão as caras. Não pode fazer um raio de sol entre as nuvens que todos já saem para curtir a vida ao ar livre. Nessa época do ano os dias são longos, temperatura agradável, vários festivais e eventos nos parques da cidade.

O outono também é lindo mas pode ser chuvoso e cinzento, as árvores começam a perder suas folhas criando verdadeiros tapetes alaranjados pela cidade.

 

A cultura

A população é etnicamente bem homogênea em comparação ao Brasil e a cultura é baseada em alguns pilares como : igualdade, simplicidade e respeito.

A igualdade é uma das características que mais gosto na Dinamarca. Como já diz a Lei de Jante, ninguém aqui é melhor do que ninguém. É claro que, muitas vezes essa regra se aplica apenas entre os próprios dinamarqueses. No entanto, os altos impostos contribuem para que todos que residam aqui tenham acesso ao sistema de saúde, seguro desemprego, todos os níveis de educação gratuíta, entre outros benefícios.

Tanto os empregos informais quanto os empregos formais são bem remunerados. Os filhos de políticos estudam em escola pública, enquanto que os mesmos vão para o trabalho através de transporte público ou bicicleta.

A igualdade de gênero é também fundamental na cultura dinamarquesa. Homens e mulheres dividem as tarefas do lar e a responsabilidade com os filhos.   

A simplicidade também é parte da essência dinamarquesa, uma vez que pouco valor é dado aos bens materiais. Mais uma vez em destaque a Lei de Jante. É considerado quase que falta de bom senso ficar se gabando de bens materiais, viagens ao exterior, carro ou luxos do cotidiano. É claro que, é mais fácil passar despercebido em uma nação onde a maioria das pessoas tem as mesmas oportunidades que você.

A educação e respeito também são características marcantes. Dinamarqueses não são de conflito e raramente se envolvem em discussões. Por outro lado, são bem honestos e diretos em relação ao que pensam, por isso se você não quer ouvir certas verdades, não pergunte! ou aprenda a lidar como eles e não leve para o lado pessoal. Raramente irão contar detalhes da vida pessoal ou perguntar da sua, as pessoas são muito discretas. 

Humor

Ok. Essa é uma característica marcante da personalidade dinamarquesa. O humor, ironia e sarcasmo andam juntos.

Às vezes pode parecer um pouco rude ou até mesmo gerar más interpretações o excesso de ironia. Mas na maioria dos casos, eles não fazem comentários com más intenções. A partir do momento que você aprende mais a língua e cultura dinamarquesa é mais provável que você entenda o humor e acabe rindo junto.

No fundo eu não acho o humor brasileiro tão diferente do dinamarquês. Meu pai e meu marido por exemplo se entendem super bem e acabam rindo sempre das mesmas coisas.

A língua

A língua oficial é o dinamarquês e sem dúvida é um dos maiores desafios para quem vem morar aqui. O lado positivo é que grande parte da população se comunica muito bem em inglês, ou seja, se você só estiver vindo como turista não terá dificuldade nenhuma em pedir informação.

Já para os que pretendem morar a lingua é extremamente importante uma vez que quase fundamental para conseguir trabalho, se adaptar a cultura e até mesmo socializar. O alfabeto possui um total de 9 vogais: a, e, i, o, u, y, æ, ø, å. E letras como X e o W não são usadas, a menos que em palavras internacionais.

A gramática é difícil, mas a parte mais desafiadora é sem dúvida a pronúncia. Há muitos fonemas em que nós brasileiros não estamos habituados e para falar bem exige muita prática.

O custo do curso de dinamarquês em escolas privadas é altíssimo, podendo chegar a 9 mil coroas (4,619 reais) por mês em escolas como a Studieskolen, no centro de Copenhague. A boa notícia é que dependendo do visto que você tem, há a possibilidade de estudar gratuitamente até um certo período. 

Gastronomia

A maioria dos dinamarqueses fazem três refeições por dia, sendo café da manhã e janta em casa e almoço na rua. A única refeição “quente”, como eles chamam, acontece no jantar onde a família geralmente se reúne para jantar junto. As refeições em família são momentos importantes no cotidiano. Os pais também costumam envolver as crianças na preparação da refeição com o intuíto de socializar e aprender.

Não existe uma hora de almoço no trabalho como fazemos no Brasil. Geralmente o almoço é no tempo suficiente de comer e voltar para trabalhar. A refeição então são os “pratos frios” que são mais práticas no dia a dia. Pode ser por exemplo smørrebrød, sanduiche, wraps ou uma salada.

Dentre os pratos mais populares estão:

Frikadeller: A versão dinamarquesa de almôndegas. São servidas tanto em pratos frios com rygbrød (pão de centeio), quanto com batata e pratos quentes.

Frikadeller

Flæskesteg: Um prato super tradicional de carne de porco assada, cortada em tiras bem finas. É servido em todos os restaurantes clássicos dinamarqueses.

flæskesteg -voresmad.dk

Stegt Flæsk: Foi votado como o prato nacional em 2014. Esse é um prato nada light. Eles fritam a parte gordurosa da barriga do porco e servem com batata e molho de salsa cremosa.

Stegt flæsk med persillesauce

Herring: Peixes de Arenque que são peixes pequenos e cheios de gordura em sua carne. É super comum encontrar esse peixe marinado, no curry, no molho de mostarda, defumado, frito, empanado e outras formas.

Smørrebrød: São sanduíches abertos que podem ser servidos em uma série de combinações. Aliàs todas as opções acima podem ser servidas frias com o pão de centeio e se tornar o famoso “ smørrebrød”

Variedades de Smørrebrød -www.npr.org

Pølsevogn: Não tem como visitar a Dinamarca e não experimentar o cachorro quente. Esses trailers estão em todas as esquinas no centro da cidade. O meu favorito é o chamado de cachorro-quente riset, que vem coberto com pepino em conserva, cebola picada fresca, mostarda, ketchup e remoulade (molho). Diferente dos nossos cachorro quentes no Brasil, aqui a salsicha é longa e fina. Mas não pense que comer na barraquinha do cachorro quente é barato como no Brasil. O preço de um cachorro quente pode variar de  25 à 45 coroas dinamarquesas (12 à 22 reais). 

Cachorro quente com bebida de chocolate

Cachorro quente gourmet no Torvehallerne

Bebidas não poderíamos deixar de mencionar as famosas Carlsberg e Tuborg que são as cervejas nacionais.

E o Cafézinho? Essencial no dia a dia dos dinamarqueses. Até eu que não ligava para café, acabei aderindo ao costume. Todos os encontros e reuniões são regados à café. E o diferencial é que a maioria toma sem açucar !

Falando também da culinária gourmet, a Dinamarca está entre os melhores destinos gastronômicos do mundo com a nova culinária nórdica, que usa ingredientes locais e sazonais. São 24 restaurantes com estrela Michelin, dentre eles Geranium, Era Ora, Relæ e o pioneiro NOMA . Para uma experiência diferente, também existem as pousadas mais afastadas das grandes cidades, chamadas de Kro. Nesses lugares é possível provar a comida autêntica, fresca e feita apenas com produtos locais de excelente qualidade.

Sair pra comer em restaurantes pode ser um passeio caro e na capital Copenhague, por exemplo, na maioria dos restaurantes é necessário fazer reserva para garantir mesa aos finais de semana. Uma das reclamações principais de quem mora aqui, é a de não poder sair espontâneamente em um sábado a noite, pois todos os restaurantes estão lotados. Em alguns restaurantes até mesmo reservando mesa, você só tem direito ficar no restaurante em um período de até 2 horas. 

Religião

De acordo com as estatísticas, quase 80% da população é membra da igreja Nacional Luterana Dinamarquesa (Folkekirke), mas a maioria não é interada em assuntos religiosos ou doutrinas.

Os dinamarqueses vão à Igreja em ocasiões como casamento, batismo e comunhões, mas quase nunca para assistir uma missa no domingo.

Religião é um assunto super particular e as pessoas raramente expõem suas crenças e religiões em público.

Política

A Dinamarca é uma monarquia parlamentar, democrática e constitucional, na qual o primeiro ministro (Lars Lykke Rasmussen) é chefe de governo e a Rainha Margrethe II é chefe de estado. 

No parlamento (Folketing) estão 179 membros, sendo dois deles pertencentes a Groenlândia e Ilhas Faroé. O sistema político é multipartidário e no último século nenhum partido político ocupou uma maioria absuluta no parlamento.

Os índices de corrupção são bem baixos e por isso o país leva primeiro lugar no ranking internacional de percepção à corrupção. A população cobra bastante daqueles que estão no poder e estes são isentos de mordomias. A maioria utiliza transporte público ou bicicletas para ir ao trabalho e os salários são justos como em qualquer outra profissão. Grande parte da população confia nos políticos do país. 

Infraestrutura

Super fácil de viajar para a maioria das cidades de trem e ônibus. Na Capital Copenhague ainda tem linha de metrô que apesar de não muito grande é rápido e moderno. 

Dá pra achar facilmente as rotas e meios de transporte através do site ou app para celular Rejseplanen.dk . O programa mostra a rota completa integrando os meios de transporte e até o tempo que leva da sua casa até o destino final.

O número de bicicletas na cidade é o dobro que o número de carros e isso mostra o quão bem preparada a cidade é para os ciclistas. Vale muito a pena investir em uma bicicleta durante seu período na Dinamarca!

Esporte

Os dinamarqueses amam esporte!!  A maior parte da população é engajada em algum tipo de esporte e até mesmo as crianças passam grande parte do período escolar em atividades ao ar livre, parques, jogando bola …

As atividades mais populares são futebol, handball, badminton, natação e ginástica. Além disso corrida e academia são super populares, até mesmo no inverno rigoroso tem pessoas correndo ao ar livre, indo treinar,  pedalando até o trabalho e assim por diante.

Véspera de Ano Novo, inverno e academia lotada.

Para quem deseja visitar a Dinamarca

 Quando ir

Os meses de janeiro e fevereiro são conhecidos pelo frio e os dias curtos. Muitos centros ao ar livre também estão fechados e há poucos eventos na cidade. Mas dependendo do tipo de turista que você é, essa é uma época mais acessível para acomodações e é possível conhecer grande parte dos passeios históricos e culturais.

Em março as temperaturas começam aumentar e em abril há maior chance de céu azul.

Maio e Junho são considerados os ótimos meses para turismo pois a temperatura está mais agradável e há um menor número de turistas. Os dias são mais longos, permitindo passeios ao ar livre até tarde da noite. São também excelentes meses para explorar a cidade de bicicleta.

Os meses mais populares são julho e agosto. Mas esses também são os meses em que muitos dinamarqueses entram de férias e a cidade pode ficar bem cheia. O verão geralmente é ensolarado e quente.

Em setembro e outubro a temperatura começa a cair novamente e fica mais fácil achar acomodações com bons preços. O outono traz uma brisa mais fria mas é maravilhoso para passear e curtir a mudança de estação.

Em Novembro e Dezembro já dá pra sentir o gostinho do inverno. São nesses meses que mais presenciamos o que os dinamarqueses definem como “ Hygge”, um termo usado para momentos entre família e amigos, a luz de velas e ambientes mais aconchegantes. O Clima do natal, as luzes as feiras natalinas deixam a cidade com um ar muito mais especial!

O inverno não é tão severo como em outros países do norte europeu, mas devido aos ventos fortes pode parecer um pouco mais frio que o normal. 

Quanto tempo ficar

Se você planeja conhecer um pouco de cada lugar e passar pelas grandes cidades, 6 dias é o que eu recomendaria. 3 dias para Copenhague, 1 dia em Odense e 2 dias em Jutlândia.

Para quem quer conhecer apenas a capital Copenhague e os principais pontos turísticos na região mais central, eu diria que três dias é o suficiente.

Em Copenhague, há diversas atrações e passeios na região central, mas para curtir castelos e natureza o viajante terá que disponibilizar mais tempo para transporte ou talvez adicionar mais dias ao roteiro.

Algumas das atrações estão afastadas do centro, como por exemplo o Palácio de Frederiksborg, o Museu de Louisiana e famoso Castelo de Kronborg. Kronborg por exemplo está há 1 hora e 10 minutos de distância (trajeto de trem saindo da estação central).

Visto e Documentos

Para os brasileiros que possuem passaporte europeu, a entrada é livre assim como o período de estadia. Para os portadores de passaporte brasileiro, o visto permite ficar no máximo 90 dias dentro de um período de 6 meses. Esse visto também é válido para qualquer país da Zona Schengen.

A Zona Schengen é uma área de livre circulação onde os passageiros não precisam se submeter ao controle fronteiriço. Essa região é formada por 26 países, dentre eles: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Estônia,Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letónia, Lituânia, Liechtenstein, Luxemburgo, Malta,Noruega, Países Baixos, Polônia, Portugal,  República Checa, Suécia e Suíça.

A contagem de 90 dias no período de 6 meses inclui a estadia em todos os países da Zona Schengen e começa a contar a partir do momento que você entra no primeiro país até o último. A menos que você tenha outro tipo de visto, como por exemplo o visto de permanência ou algum outro visto de longa duração.

Os 90 dias podem ser divido em uma ou mais visitas nesse período de 6 meses.

Obs: O dia de entrada e saída da Zona Schengen também são calculados no periodo de validade do visto. É sempre responsabilidade do viajante fazer a contagem correta dos dias. Lembrando que 90 dias não são 3 meses. Alguns meses possuem mais ou menos dias.

O Espaço Schengen não é composto por todos os países da União Européia. Bulgária, Romênia, Chipre, Croácia, Irlanda e Grã-Bretanha estão fora na zona de livre circulação.


 

E assim terminamos essa super introdução a Dinamarca.

Tenham um ótimo dia ! E venham conhecer esse lugar incrível !

🙂