Barcelona é um dos centros urbanos mais vibrantes na Europa. Alegre, eclética e inovadora, é uma cidade de infinitas possibilidades.

Excelentes museus, cena cultural efervescente, arquitetura única, monumentos soberbos, patrimônio histórico, igrejas medievais, restaurantes de alta gastronomia, bares de tapas, praias banhadas pelo Mediterrâneo… Ufa! Haja fôlego para encarar toda essa vitalidade da capital catalã.

Não seria exagero nenhum dizer que Barcelona é um destino turístico completo. Como poucas cidades, ela realmente oferece os mais diversos tipos de experiência, seja qual for o seu gosto ou perfil de viajante. Portanto, inclua na sua mala aquela dose extra de disposição e prepara-se para descobrir essa cidade que é um prazer para todos os sentidos.

 

Sobre Barcelona

As imagens aéreas são a prova da bela simetria de Barcelona. Com a exceção do emaranhado de ruelas da Ciudad Vella, onde está o centro histórico, a cidade tem um traçado quadriculado de deixar qualquer urbanista eufórico.

A riqueza e o progresso da região da Catalunha levaram ao desenvolvimento urbano de Barcelona no final do século 19. No planejamento da cidade ganharam espaço grandes avenidas arborizadas, vias públicas com centros comerciais e as famosas manzanas, quarteirões de tamanho padrão, com blocos octogonais de edifícios dispostos ao redor de um pátio central. Muitas dessas fachadas serviriam de tela para a experimentação do modernismo catalão.

Aliás, esse movimento arquitetônico é a cara de Barcelona — e um dos motivos pelos quais a capital catalã ficou conhecida. A partir da influência do art nouveau, que defendia o uso de formas naturais e elementos da natureza, arquitetos locais começaram a projetar edifícios com uma dose especial de surrealismo.

O grande nome do estilo é Antoni Gaudí, mas mais de cem arquitetos deixaram a sua marca nesse período, entre os quais também se destaca Lluís Domènech i Montaner e Josep Puig i Cadafalch. A tendência para inovação mostrou as caras novamente no final do século passado, quando Barcelona, por ocasião dos Jogos Olímpicos de 1992, teve boa parte da sua região portuária revitalizada.

Explorar as ruas de Barcelona e contemplar suas obras arquitetônicas é apenas a primeira etapa para descobrir essa cidade de muitas facetas.

A seguir, antes de listar as atrações imperdíveis a se conhecer em Barcelona, apresento os bairros de Barcelona. Cada um tem a sua própria história e identidade, oferecendo experiências bastante distintas para o turista.

  • Se você busca informações práticas sobre a cidade, confira o post sobre como planejar uma viagem para Barcelona.

Isso serve tanto como um guia para escolher o bairro no qual se hospedar ou a área para onde rumar ao final do dia para tomar um drinque, quanto para planejar o itinerário de atividades de cada dia.

 

Os bairros de Barcelona

 Ciutat Vella

Desde os Romanos e a sua Barcino até os barceloneses que hoje dividem esse território com centenas de turistas, a Cidade Velha sempre foi o centro de todas as atividades. Esse distrito histórico corresponde, na verdade, a quatro bairros.

O Barri Gòtic é o centro medieval, com suas ruelas labirínticas e becos sinuosos. Para quem vem da Plaça Catalunya, principal praça da cidade, está a esquerda da Rambla, o calçadão mais famoso de Barcelona. Reúne alguns dos edifícios históricos mais emblemáticos, como o Palau de la Generalitat, sede do Parlamento da Catalunha, e a esplendorosa Catedral gótica.

El Raval, localizado no lado oposto ao Bairro Gótico tendo como referência as Ramblas, já foi considerado uma zona sórdida, com a presença de prostitutas e traficantes. Hoje, museus de arte contemporânea, muita arte urbana e o multiculturalismo dos moradores — imigrantes, estudantes e artistas — contribuem para um bairro cheio de vitalidade, cada vez mais na moda.

Oficialmente chamado Sant Pere, Santa Caterina i la Ribera, esse bairro é mais conhecido pelas regiões de La Ribera e El Born, ladeados pelo belíssimo Parc de la Ciutadella. Aqui você vai encontrar muitas ruazinhas antigas com restaurantes, bares e lojas descolados.

Por fim, às margens do mediterrâneo e próximo ao Port Vell, o porto antigo da cidade, hoje revitalizado, está La Barceloneta. Antes um bairro de pescadores e da classe trabalhadora, hoje é a queridinha dos turistas, pela proximidade das praias, de restaurantes e de outros atrativos.

Quem tem interesse em entender o desenvolvimento da cidade e os diferentes períodos que o marcaram, não pode deixar de visitar o MUHBA, o Museu d’Historia de Barcelona.

 

Montjuïc

A colina de Montjuïc, com vista privilegiada para o centro e para a região portuária, é a grande área verde de Barcelona. Em suas imediações foram celebrados dois grandes eventos que transformaram significativamente a cidade.

O primeiro deles foi a Exposição Internacional de 1929, quando se construiu o Palau Nacional, que hoje abriga o Museu Nacional de Arte da Catalunha. Depois vieram os Jogos Olímpicos de 92, que deixaram como legado o parque olímpico.

 

L’Eixample

Extensão da velha Barcelona, esse bairro residencial abrigava, no final do século 19, a burguesia que foi a força propulsora do crescimento econômico da cidade. Ainda hoje o distrito mais densamente povoado, reúne muitas das maravilhas produzidas pelos arquitetos modernistas: da icônica Sagrada Família a incontáveis edifícios residenciais com um toque de fantasia. Praticamente um museu a céu aberto do modernismo catalão.

Até mesmo por sua grande extensão, é um dos bairros mais completos em termos de hotelaria, comércio e restaurantes. Elegante e cheio de estilo, reúne algumas das principais vias da cidade, como o Passeig de Gràcia, a Gran Via de les Corts Catalanes ou a Diagonal.

 

Gràcia

Cidade independente até 1897, o distrito de Gràcia está aos pés do outro morro de Barcelona, o Tibidabo. Com a exceção dos entornos de uma das mais destacadas atrações, o Parc Güell, essa é uma região onde a presença de turistas ainda não é maciça. Por aqui ainda se preserva um pouco do ritmo e do sabor da vida local.

 

 

O que fazer em Barcelona

 

Modernismo Catalão no bairro L’Eixample

Sagrada Família

Não poderíamos deixar de começar com o atrativo mais procurado. Se você tivesse tempo para visitar um único lugar, é para o Templo Expiatório da Sagrada Família que deveria se dirigir.

A obra prima de Antoni Gaudí, ainda em construção, impressiona por sua verticalidade — quando concluída, será a igreja mais alta do mundo — e principalmente pelo nível de detalhes, tanto em suas fachadas quanto em seu interior. Mesmo inacabada, é o monumento mais visitado da Espanha: atrai cerca de 4,5 milhões de visitantes por ano.

O projeto foi iniciado em 1882 em estilo neogótico, mas já no ano seguinte, foi assumido por Gaudí, então com 31 anos de idade. O arquiteto logo reformulou todos os esboços, dando à igreja os traçados que a tornariam o maior expoente do modernismo catalão.

Gaudí dedicou mais de 40 anos da sua vida à edificação do templo, sendo os últimos quinze de maneira exclusiva. Quando faleceu, em 1926, apenas uma das 18 torres previstas havia sido concluída. Em construção ainda hoje, a ideia é ter a obra finalizada para o centenário da morte do arquiteto, em 2026.

Veja como ficaria o templo após a sua conclusão:

Uma coisa que me chamou a atenção é que a construção é mantida unicamente com contribuições privadas, a partir de doações e da venda de ingressos. Ou seja, ao fazer o tour, você está contribuindo para a concretização dessa magnífica obra.

Para realmente entender os detalhes e simbolismos do templo, eu recomendo fortemente fazer o tour guiado. Leva 50 minutos e são realizados em inglês, espanhol, catalão e francês. Quem preferir, pode fazer a visita por conta própria com o audioguia, disponível em português (de Portugal).

Eu não fiz a visita até as torres (uma na fachada da Natividade e a outra na fachada da Paixão), então não poderia recomendar. Mas sei que há opiniões controversas sobre se vale ou não a pena: alguns dizem que a visita não é tão impactante depois de conhecer o interior do templo e que a vista da cidade e da igreja são um tanto limitadas. Quem já foi, não deixe de compartilhar sua opinião com a gente nos comentários!

  • Como chegar: metrô Sagrada Família (linha 2, lilás, ou 5, azul)
  • Tempo de visita: tour guiado ou por conta própria com audioguia 50min; passeio guiado com visita à torre 1h30; observação externa do templo, 20min
  • Quanto custa: entrada comum €15 | visita com audioguia €22 | visita guiada €24 | visita com acesso às torres €29
  • Mais informações no site oficial
  • Dica: Compre o ingresso pela internet antecipadamente. Como comentamos, é a atração mais visitada do país e as filas para a bilheteria podem levar facilmente 1h, ainda mais na alta temporada.

 

La Pedrera

Explorar a Casa Milà, assim chamada oficialmente em homenagem ao empresário que a encomendou a Gaudí em 1906, foi sem dúvida nenhuma a melhor experiência que eu tive em Barcelona. Mas antes de comentar a minha visita especial, deixa eu contar para vocês sobre esse edifício.

Trata-se de um conjunto de apartamentos e escritórios situados na esquina do Passeig de Gràcia e da Carrer de Provença, o que faz com que o edifício tenha três fachadas. O projeto de Gaudí unificou todas como se fossem uma só, dando uma forma ondulada ao conjunto. É impressionante como a pedra calcária parece ter o movimento de ondas do mar. Para complementar a frente do edifício, o arquiteto a decorou com 33 balcões de ferro forjado em formas de algas marinhas.

O interior não é menos admirável: parece não existir uma linha reta sequer. Isso porque Gaudí, que na época recebeu um orçamento ilimitado para a obra, defendia que não existiam linhas retas na natureza. Para ele, a arquitetura deveria ser o mais orgânica possível. Curiosamente,  sua obra foi motivo de chacota após a inauguração, tanto que ganhou o apelido de La Pedrera (a pedreira).

A visita diária contempla ainda um tour pelo “El Piso de la Pedrera”, um apartamento decorado com o estilo do começo do século 20, e o “Espai Gaudí”, o sótão da casa, repleto de desenhos, maquetes e fotografias dos projetos do arquiteto.

O grande destaque fica por conta do terraço, um verdadeiro jardim de esculturas. Gaudí utilizou diferentes soluções arquitetônicas para as 30 chaminés de ventilação, que parecem guerreiros, com a cabeça adornada por capacetes.

Essa foi a mágica da minha visita! Depois de fazer um tour pela casa com um guia extremamente apaixonado por sua história, terminamos o passeio no terraço, com vista panorâmica da Passeig de Gràcia sob a luz alaranjada do pôr do sol. Em seguida, um show de luzes apresentou a história do lugar através de imagens refletidas em suas estátuas.

Simplesmente sensacional!

  • Endereço: Carrer Provença 261-265
  • Como chegar: metrô Diagonal (linhas 3, verde, ou 5, azul); ônibus 7,16,17, 22, 24 e V17
  • Quanto tempo de visita: em torno de 1h30
  • Quanto custa: visita diária €25 | visita noturna €34 | visita combinada dia e noite €41; para informações sobre outros tipos de visitas e descontos para crianças e idosos, confira o site oficial
  • Dica: comprando antecipadamente pelo site, você garante um desconto de €3 e escapa da fila da bilheteria

 

Casa Batlló

Considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco desde 2005, esse edifício foi remodelado quase que inteiramente por Gaudí, a pedido do magnata Josep Batlló em 1877.

Sua fachada e a parte externa deixam qualquer um boquiaberto: são recobertas por inúmeros fragmentos de cerâmica e vidro coloridos, que contrastam com as colunas em formas de osso e janelas que lembram caveiras.

Esses elementos decorativos seriam, segundo uma interpretação simbólica popular, as vítimas do dragão morto por Sant Jordi (São Jorge), padroeiro da Catalunha. A parte superior do telhado representaria o dorso do animal reptiliano e as suas escamas, enquanto a torre com a cruz seria a espada mortífera do guerreiro.

O interior do edifício é igualmente rico em detalhes. A cada passo, é uma nova surpresa em relação às cores, formas e espaços. Tudo parece saído de um sonho.

Já até brincaram com essa possibilidade nesse vídeo promocional:

 

  • Endereço: Passeig de Gràcia 43
  • Como chegar: metrô Passeig de Gràcia (linhas 2, 3 e 4); ônibus 7, 16, 17, 22, 24 e 28
  • Quanto tempo de visita: entre 1h e 1h30, em média
  • Quanto custa: adultos €21,50 | estudantes e idosos (+65) €18,50 | gratuito para menores de 7 anos; para informações sobre outros tipos de visitas, confira o site oficial
  • Dica: comprando antecipadamente pelo site, você garante um desconto de €3 e escapa da fila da bilheteria

 

 

Modernismo Catalão no bairro Gràcia

 Park Güell

Curiosamente, o parque Güell é, na verdade, o fracasso de um projeto imobiliário. Eusebi Güell, mecenas de Gaudí, encomendou a construção de 40 casas em meio à bucólica Gràcia, na época um município independente de Barcelona.

Sem sucesso comercial, a ideia foi abandonada em 1914 e as áreas comuns do condomínio foram convertidas em um novo parque para a cidade, após a doação dos terrenos para a prefeitura em 1918.

O parque é composto por duas áreas distintas: a zona monumental e a zona de acesso gratuito. Na primeira se encontram os dois pavilhões da entrada, a escadaria com seu emblemático dragão multicolorido (el drac) e a sala hipostila, cujas colunas sustentam o teto de mosaico e a praça central acima. A grande praça do Park Güell é famosa pelo bancos ondulados e coloridos à sua volta.

Todas as demais áreas do parque tem acesso liberado. Gaudí criou um sistema de pontes e viadutos suportados por colunas, que, na parte inferior, dão a impressão de estar dentro de uma onda num mar de pedras. Na parte mais elevada do parque existem dois mirantes, de onde se pode ver ainda melhor o mar Mediterrâneo ao fundo.

Também é possível visitar a Casa Museu Gaudí, uma das casas construídas como modelo do empreendimento imobiliário que, diante da ausência de compradores, acabou se tornando o lar do arquiteto por mais de 20 anos. No acervo, mobília, pertences e objetos desenhados por Gaudí.

  • Como chegar:
    • Metrô Vallcarca mais uma caminhada de 15 minutos seguindo a sinalização em direção ao parque; é uma subidinha considerável, para ajudar, há escadas rolantes no caminho
    • Ônibus: a linha 24 e a linha 92 são as que mais se aproximam da entrada do parque
  • Quanto tempo de passeio: de 30min a 1h para a zona monumental, 1h para a zona livre do parque, cujas distâncias são maiores
  • Quanto custa: zona monumental €8,50 (€7 se você comprar online), crianças até 6 anos grátis | Casa Museu Gaudí €5,50 euros para compra online e 8 euros em locais de venda
  • Dica: Compre com antecedência pela internet, pois há um número limite de visitantes por hora e você pode acabar não conseguindo ingresso

 

 

 

Outros edifícios modernistas que vale a pena conhecer:

 

 

Centro histórico

 La Rambla

Las Ramblas é uma via com pouco mais de um quilômetro de comprimento, no coração do centro antigo. Começa na Plaça de Catalunya e termina no Mirador de Colom, já em Port Vell. Apesar de ser uma única avenida, a cada trecho recebe um nome diferente, o que pode ser confuso. É por isso que alguns se referem a ela como La Rambla e outros como Las Ramblas.

Descendo a avenida da praça em direção ao mar, você tem Rambla de Canaletes, Rambla del Estudis, Rambla de les Flors (onde está o Mercat de la Boqueria), Rambla dels Caputxins e Rambla de Santa Mònica.

É gostoso passear pelo calçadão das Ramblas, super arborizado, com várias lojinhas de souvenires, bancas, cafés e artistas de rua. Porém, o local sofre com a sua própria fama: está abarrotado de turistas, a maioria dos restaurantes são pega-turista (sério, melhor evitar a furada e comer em qualquer outro lugar) e há um número maior de batedores de carteira. Por aqui, é melhor ficar de olho nos seus pertences.

Uma extensão contemporânea, a Rambla del Mar é uma passarela de madeira sobre o mar, exclusiva para pedestres, que leva até o centro comercial Maremagnum.

  • Como chegar: metrô Plaça Catalunya (linhas 1, 3, 6 e 7)

 

Mercat de la Boqueria

Oficialmente Mercat de San Josep, La Boqueria é o mercado municipal mais antigo de Barcelona, inaugurado em 1840. Mas a atividade comercial na região é ainda mais antiga: remonta ao século 13.

O mercado possui mais de 300 barraquinhas vendendo os mais variados produtos locais: frutas, verduras, queijos, presuntos, vinhos, carnes, frutos do mar… Como é um local com um intenso fluxo de turistas, as bancas na parte da frente do mercado, principalmente na entrada, junto às Ramblas, cobram preços estratosféricos. Até os produtos são pensados para esses visitantes: saladas de frutas, picolés refrescantes, doces e sucos.

Aliás, não ouse tocar em nada exposto nas bancas se você não quiser levar uma bela duma bronca.

Para uma experiência mais autêntica, dirija-se ao fundo do mercado. Lá você encontrará moradores fazendo compras e poderá observar mais tranquilamente a dinâmica do mercado.

  • Endereço: La Rambla 91
  • Como chegar: metrô Liceu (linha 3)
  • Horário de funcionamento: seg-sáb 8h-20h30

 

Plaça Reial

A Plaça Reial é uma elegante praça no Barri Gòtic, pertinho das Ramblas. Construída em meados do século 19, foi habitada por importantes famílias da sociedade catalã de então. As palmeiras, a fonte central e os pórticos dos edifícios dão um certo charme ao local.

Uma brincadeira é estudar as belas luminárias da praça para ver se você identifica as duas que foram projetadas por um jovem Antoni Gaudí, no começo de sua carreira.

A praça ganha vida à noite, quando jovens se juntam para beber nos bares antes de seguir para as casas noturnas dos arredores.

Atenção, não confunda com a medieval Plaça del Rei, também no Barri Gòtic, e igualmente charmosa. Nessa outra praça está a principal unidade do MUHBA (Museu d’Història de Barcelona).

  • Como chegar: metrô Liceu (linha 3)

 

La Catedral

A imponente Catedral de la Santa Creu i Santa Eulàlia, conhecida simplesmente Catedral, é uma das construções mais importantes do Barri Gòtic.

Sua edificação, um processo lento e gradual, começou em 1298 sobre os restos de um antigo templo e só foi finalizada seiscentos anos depois. Isso levou a uma mistura de diferentes estilos arquitetônicos, como gótico, barroco, neogótico e modernista.

Por incrível que pareça, a fachada da catedral é o elemento mais moderno, do final do século 19. O claustro é, provavelmente, a parte mais bonita. Ninguém imagina se deparar com um oásis no meio do Barri Gòtic, ornado com palmeiras e fontes, onde vivem 13 gansos. Diz a lenda que a quantidade de pássaros representa a idade que tinha Santa Eulália quando ela morreu martirizada.

  • Como chegar: metrô Jaume I (linha 4) ou Liceu (linha 3)
  • Quanto custa: existe uma entrada grátis e uma paga (chamada de donativo), por €7, cada qual com horários específicos de visitação
  • Dica: muita atenção ao código de vestimenta, principalmente no verão, quando o calor faz a gente sair do hotel com o mínimo de roupas possível; não é possível entrar de regata ou de bermudas e saias curtas

 

 

Montjuïc

Telefèric de Montjuïc

O teleférico de Montjuïc é um passeio bem tranquilo e o trajeto bem rápido, o que encaixou perfeitamente no meu roteiro. Fiz o passeio no final da tarde, quase já sem fila. O teleférico sai da estação Parc di Montjuïc e vai até ao Castell de Montjuïc, no topo da colina.

No meio do caminho há ainda uma estação intermediária, chamada de Miramar. Nela, não é possível descer durante o trajeto para o topo, apenas na volta, mas vale a pena porque a vista é bem bonita.

O visual durante o trajeto e do topo da montanha é magnífico. Na vista panorâmica da cidade notam-se vários dos monumentos famosos, como a Sagrada Família. Se você quer economizar, dá pra fazer o trajeto inteiro, ou parte dele, a pé ou de ônibus.

Como meu itinerário estava corrido, o passeio de teleférico encurtou as distâncias e ainda me presenteou belas vistas. Eu não tive tempo de ir ao Castelo, mas se você gosta de caminhada e de curtir a natureza, dá pra passar um dia inteiro explorando o Parque de Montjuïc.

  • Como chegar: metrô Paral-lel (linhas 2 e 3)
  • Quanto tempo de visita: 1h30
  • Quanto custa: ida €8,20 (crianças de 8 a 12 anos €6,50) | ida e volta €12,50;  (crianças €9)

 

Font Màgica

Um dos passeios mais populares é o show de luzes na Font de Montjuïc. Para ter certeza sobre os horários dos espetáculos, vale consultar o site oficial, uma vez que a programação muda de acordo com a época do ano. No entanto, qualquer que seja a época do ano, o show ocorre sempre após o pôr do sol. O bom desse tipo de passeio é que, além de lindo, ainda é gratuito e não tem horário para chegar ou para ir embora, de modo que dá pra encaixar entre uma programação e outra.

  • Endereço: Plaça de Carles Buïgas 1
  • Como chegar: metrô Espanya (linhas 1 e 3); ônibus 55

 

 

Museus

Antigo lar de Picasso e Miró, Barcelona é um centro de excelência de criação artística. Se hoje, por um lado, seus museus podem ser mais intrigantes para quem tem interesses específicos, por outro, a programação cultural é intensa e sempre existe algo legal rolando. Vale entrar na agenda do site da prefeitura para conferir os próximos concertos, exposições temporários e eventos.

Principais museus de arte:

  • MNAC – Museu Nacional d’Art de Catalunya: Seu acervo cobre 1.000 anos de história da arte da Catalunha, com destaque para a arte românica, uma das melhores coleções do mundo. Também tem uma ótima seção dedicada ao modernismo, com móveis e pinturas do começo do século 20.
    • Endereço: Parc de Montjuïc
    • Como chegar: Espanya (linhas 1, 3 e 8)
    • Entrada: €12
  • Fundació Joan Miró: É difícil encontrar quem não goste do surrealismo colorido de Miró, mas a visita à fundação do artista catalão vale a pena também pelo edifício, pelo terraço com esculturas, pela bela vista e pelo astral do lugar.
    • Endereço: Parc de Montjuïc
    • Como chegar: Espanya (linhas 1, 3 e 8)
    • Entrada: €12
  • Museu Picasso: Situado numa das ruas mais importantes e nobres da Barcelona medieval, o museu dedicado a Pablo Picasso foi fundada por seu amigo pessoal, Jaime Sabertés. São mais de 3800 obras do artista, organizadas cronologicamente, o que é super bacana para acompanhar a evolução do artista no começo de sua carreira. Além disso, é muito interessante o percurso pelos pátios de cinco palácios góticos interligados e restaurados.
    • Endereço: Carrer Montcada, 15-23
    • Como chegar: Jaume I (linha 4)
    • Entrada: €11
  • Museu d’Art Contemporani de Barcelona (MACBA): O projeto arquitetônico do MACBA, junto com o seu vizinho CCCB, foi um dos responsáveis por revitalizar o bairro de El Raval. O foco do acervo, como sugere o nome, é arte contemporânea. Tem uma coleção permanente e costuma organizar ótimas exposições temporárias.
    • Endereço: Plaça dels Àngels, 1
    • Como chegar: Universitat (linhas 1 e 2)
    • Entrada: 10
  • Centre de Cultura Contemporània de Barcelona CCCB: centro com uma intensa programação de shows, espetáculos, cinema, cursos e festivais. Vale a pena dar uma passadinha para conhecer o Pati de les Dones, um patio onde uma moderna fachada de vidro reflete o edifício do século 18 a sua volta.
    • Endereço: Plaça dels Àngels, 1
    • Como chegar: Universitat (linhas 1 e 2)
    • Entrada: €6
  • Fundació Antoni Tàpies: para quem não tem familiaridade com a obra contemporânea do artista catalão Antoni Tàpies, talvez essa seja a coleção menos atraente. Mas arquitetonicamente pode chamar atenção: o edifício, de Lluís Domènech i Montaner, é uma das primeiras obras do período modernista, com elementos da arquitetura mudéjar (de influência moura).
    • Endereço: Carrer d’Arragó, 255
    • Como chegar: Passeig de Gràcia (linhas 2, 3 e 4)
    • Entrada: €7

Passe turístico para os museus

O articketBCN é um cartão da cidade destinado aos amantes da arte e de museus. Se você fizer as contas, vai ver que vale muito a pena: em vez de gastar €58 para visitar 6 instituições de arte, você gastaria somente €30 com o passe.

Além de gastar menos, você também vai economizar tempo. Principalmente em museus populares entre turistas, como a Fundació Joan Miró e o Museu Picasso, as filas para compra de ingressos costumam ser bem grandes.

 

 

Praias

La Barceloneta

Passeio em cidade grande que dá pra incluir praia é uma maravilha! Barceloneta é um lugar que agrada tanto quem gosta de sujar o pé de areia e entrar no mar, quanto quem prefere só curtir a orla em  restaurantes e barzinhos. É gostoso caminhar até a Vila Olímpica e voltar; para quem não gosta de andar, tem a opção de pegar um Taxibike, ou mesmo alugar a sua própria bike. Em dias em que o calor não seja tão intenso, dá pra curtir só uma caminhada com uma vista bonita.

Duas coisas me chamaram a atenção em Barceloneta. Um deles era academia na praia, onde tem uma galera fitness que malha ao ar livre. E, em uma das pontas da praia, próximo ao grande Hotel W, tem uma área dedicada apenas ao nudismo, com pessoas de idade bem diversificada.

  • Como chegar: metrô Barceloneta ou Ciutadella (linha 4), ônibus: 14, 16, 17, 36, 39, 40, 45, 51, 57, 59 e 64

 

Nova Icària

Ao norte do Porto Olímpico, Icària é um pouco mais vazia que a Barceloneta. É igualmente bonita e conta com alguns serviços extras, como área esportiva, aluguel de cadeira e guarda-sol e é ótimo para fugir da grande concentração de turistas.

  • Como chegar: metrô Ciutadella ou Bogatell (linha 4); ônibus 6, 36, 41, 92 e 141

 

E para você, o que é indispensável conhecer em Barcelona?