A capital húngara pode até ser famosa pelo seu charme de cidade antiga européia, mas as atrações contemporâneas não deixam de surpreender: tour gastronômico no mercadão, casas de banho turcas que viram balada de noite, restaurantes com estrelas Michelin a preços acessíveis e bares em prédios de demolição. Essas são algumas das surpresas que Budapeste proporciona para alguns dias de descanso.

Sobre Budapeste


Budapeste é formada pela reunificação de duas cidades: Buda e Peste. Pra ficar fácil de entender, Buda é a parte alta, enquanto Peste é a plana. Ao meio, encontra-se o Rio Danúbio, que pode ser atravessado por diversas pontes ao longo de seu percurso, sendo a mais importante delas a Chain Bridge, a primeira a ser contruída depois da reunificação, em 1873.

A cidade que fica no coração da Hungria, faz divisa com outros 7 países e outrora também chegou a ser maior do que é hoje em dia. Sua história foi marcada por ocupações, batalhas e más escolhas que levou a região a viver anos sombrios sob comando dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e logo depois, quando esperava ser libertada pela União Soviética, acabou tendo que viver com o regime comunista durante 45 anos.

Mas hoje, Budapeste brilha no ranking de destinos mais procurados na Europa e está entre uma das paisagens urbanas mais lindas do mundo pela UNESCO. Continue lendo para saber o que fazer na cidade.

Informações práticas


  • Língua: húngaro
  • Moeda: florins (“Forint”, em inglês)
  • Gorjeta: geralmente 10% ou arredondar o valor da conta. Curiosidade: se você não falar nada, você receberá o troco certo, mas se você falar ” thank you”, o garçom entenderá que é para ele ficar com o troco! Nos táxis, é educado arredondar o valor da corrida.
  • Eletricidade: plug dois pontos tipo C 
  • Aeroporto: Aeroporto Internacional de Budapeste Ferenc Liszt (BUD) 

O que fazer em Budapeste


Free walking tour

Para começar o passeio com o pé direito e já entendendo toda a história local, nada melhor do que fazer um tour pelos pontos principais da cidade. Apesar do nome induzir que o passeio é gratuito, ao final é esperado que os turistas deixem uma gorjeta. A vantagem é que cada um contribui com o que pode e uma sugestão seria entre 2000 e 3000 HUF (25 e 40 reais) por pessoa. O passeio dura em média 3 horas e passa por pontos como: Basílica de Santo Estêvão, Academia da Ciência da Hungria, Pontes, Danúbio, Citadela, Palácio Real e termina em Fisherman’s Bastian, com uma das vistas mais lindas voltadas ao prédio do Parlamento.

Como os guias trabalham por gorjetas, eles procuram fazer do passeio um ótimo entretenimento e, por isso, vale muito a pena.  A desvatagem, no entanto, está na limitação dos idiomas (apenas inglês e espanhol) e a distância, para quem tem algum tipo de limitação. O trajeto tem um total de 3 km com subida na parte Buda.

  • Disponibilidade de horário: diariamente às 10h30 e às 14h30
  • Ponto de encontro: Vörösmarty Tér (praça onde está uma grande fonte com leões) – próxima da última estação do metrô linha M1
  • Checar mais informações no site do Free Walking Tour

O que conhecer no lado Buda

Independente do free walking tour, começar o passeio pelas colinas de Buda leva o visitante a entender um pouco mais da dimensão e beleza de Budapeste. Muitos dos principais atrativos estão nesse lado da cidade e você poderá percorrê-los em uma única visita, se desejar. Estes são:

Castelo de Buda (Buda Castle)

O prédio mais icônico e simétrico da cidade fica no topo da Colina de Buda. Sua atual estrutura é resultado da última construção no século 18 com estilo neo barroco e mais de 200 cômodos.  Durante a Segunda Guerra Mundial o edifício foi bombardeado sendo parcialmente destruído, mas logo depois foi restaurado e hoje abriga a Galeria Nacional, o Museu de História de Budapeste e a Biblioteca Nacional de Széchenyi.

Para quem tem pouco tempo no roteiro, o passeio nos entornos do castelo já é um grande atrativo. De lá, é possível ter uma vista panorâmica da Chain Bridge, do Parlamento e do Danúbio. Além disso, é possível ir caminhando até Fisherman’s Bastian por dentro do bairro, onde as ruas são de paralelepípedo, há pouco movimento de carro e há vários cafés e restaurantes aconchegantes para a pausa do almoço.

Minha recomendação é o Arany Hordo Vendeglo, quase em frente ao Bastião. O frango ao molho de páprica foi uma ótima opção e a cerveja é geladinha, do jeito que brasileiro gosta!

Para atravessar de Peste para Buda, a ponte mais próxima do castelo é a Ponte Széchenyi Lánchíd, conhecida como Chain Bridge. Ela irá te levar ao pé da colina onde está o castelo de Buda e de lá há duas opções para subir: de furnicular ou a pé.

Endereço: Szent György tér 2, 1014 Budapeste

Castelo de Buda ao fundo à esquerda

O furnicular Budavari Sikló

Uma atração antiga da cidade, este meio de transporte foi construído em 1870. Depois de também ser destruído durante a Segunda Guerra Mundial, foi reconstruído e reaberto em 1986. O trajeto leva poucos minutos e percorre uma subida bem íngreme. Uma sugestão é que compre o bilhete para subir e desça caminhando.

O furnicular custa 1.200HUF (+- 16 reais), mas pra quem prefere economizar e caminhar, a subida é moderada e leva em média 12 minutos. O valor do ingresso é para apenas uma viagem, mas há desconto ao comprar ida e volta.

Endereço: Clark Ádám tér, 1013 Budapeste

 

 

 

 

Bastião dos Pescadores (Fisherman’s Bastion)

A poucos metro do Castelo de Buda, está o Mirante do Bastião, uma fortaleza de sete torres que homenageia as sete tribos fundadoras da Hungria. Sua construção é de 1902 e é impecavelmente desenhada, como janelas que vistam para a deslumbrante obra do Parlamento.

O Bastião serve como um escudo também para a Igreja de Matias e a estátua de seu fundador, Stephen I, montado em seu cavalo. A igreja existe desde 1015, porém sofreu diversas modificações e restaurações com o tempo e é hoje, a sétima maior igreja do Reino da Hungria. O telhado colorido é uma identidade única de alguns prédios húngaros, feitos com cerâmica Zsolnay. Bem, com estilo gótico e teto colorido, já dá pra perceber que essa igreja fugiu do tradicional e por isso, merece uma visita!

Dica: Este é o lugar com a vista mais linda da cidade. Para uma foto especial, procure visitar cedo pela manhã (8h) quando está vazio, ou no final de tarde para assistir o Parlamento iluminado.

Endereço: Szentháromság tér 2, 1014 Budapeste.

Vista externa do Bastião

Piscina interna do Gellért

Casa de Banho Gellért

O banho termal é parte da identidade cultural de Budapeste e se consolidou principalmente com a ocupação da cidade pelo império Otomano. Algumas casas de banho datam dos séculos 16 e 17 e a experiência além de relaxante e ter propriedade terapêutica, é também uma viagem no tempo. Dentre os termas mais famosos estão: Széchenyi Baths, Rudas Baths, Király Baths e a que visitei: Gellért Baths.

A razão de eu ter visitado a Gellért se deu principalmente pela localização. Ela fica próxima do centro da cidade, no pé da ponte Liberty e perto dos passeios que citei acima. Além disso, nela é permitida a entrada de homens e mulheres (algumas casas possuem restrições de dias e horários para cada gênero).

Gellért foi construída entre 1912 e 1918 e não é uma das mais antigas da cidade. Mas, por outro lado, é uma das mais bonitas com sua arquitetura Art Nouveau** super bem preservada, com colunas de mármore, grandes estátuas, vitrais e mosaicos coloridos. Outro diferencial é que, na área externa, há uma piscina de ondas (é muito divertido!) e uma piscina efervescente.

Dicas: 

  • Inclua a ida à casa de banho no final de um dia de passeio para descansar! No verão, escurece tarde, o que possibilita que você saia e ainda aproveite as luzes da cidade. Já no inverno escurece cedo, quando você pode descansar do frio pesado;
  • leve toalha, chinelo e troca de roupa (caso esqueça, pode alugar na hora);
  • se estiver viajando com mais de duas pessoas, alugue a cabine ao invés do armário. A cabine é como se fosse um quartinho, dá pra se trocar com mais privacidade;
  • cuidado com as coisas de valor; se preferir, leve sua bolsa com você;
  • para entrar na piscina interna (da foto), é preciso ter toca de natação.

Valor: Todos os detalhes de entrada com ou sem cadeado e serviços complementares podem ser encontrados no site oficial.

Endereço: H-1118 Budapest, Kelenhegyi út 4.

Art Nouveau**= movimento artístico do final do século XIX, inspirado em formas e estruturas naturais, não somente flores e plantas, mas com linhas curvas. Esse movimento iniciou na França e foi mais popular na Europa, porém teve influência global. 

O que conhecer no lado Peste

Basílica de Santo Estêvão (St. Stephen’s Basilica)

Ao caminhar pelas ruas do centro, a edificação da Basílica chama a atenção. Não é por menos, sua altura é exatamente igual ao do Parlamento (96 m), o que nos mostra a igualdade de poderes. E o mais curioso é que nenhum outro prédio em Budapeste pode ultrapassar essa altura.

Basílica de Santo Estevão

Parlamento de Budapeste

Chegamos na atração mais esperada de Budapeste! O prédio fica à beira do Rio Danúbio e é o terceiro maior Parlamento do mundo, depois do da Romênia e da Argentina. Não tem quem não se impressione com a riqueza de detalhes da construção e por isso, recomendo que o admire de vários ângulos: do alto da Colina de Buda, de barco à noite e a visita interna guiada.

Contruído entre 1885 e 1904, o Parlamento de Budapeste se tornou o símbolo da capital húngara não só pelo seu tamanho – quase 18.000 metros quadrados – mas também por causa de sua simetria, detalhada decoração interna e diversidade de estilos. Como muitos já devem imaginar, este é o prédio mais caro já construído na Hungria.

Algumas curiosidades: 

  • O projeto da obra foi resultado de uma competição entre arquitetos;
  • Sua inauguração aconteceu em 1896, aniversário de 1.000 anos da cidade;
  •  A cúpula tem 96 metros de altura, exatamente a mesma altura da Basílica de São Estevão, que fica a apenas 10 minutos de distância dali;
  •  São 691 cômodos, 10 pátios, 27 portões and 29 escadas;
  • As paredes do lado de fora são decoradas com estátuas das figuras mais importantes da história da Hungria;
  • Apesar do tamanho, o tour guiado demora apenas 45 minutos.

Endereço: Kossuth Lajos tér 1-3, 1055 Hungria – entre as pontes Chain brigde e Margaret Bridge.

Parlamento visto do barco

Memorial dos Sapatos Judeus à Beira do Danúbio

O memorial é uma representação dos sapatos deixados para trás pelos judeus, antes de serem executados e terem seus corpos levados pela correnteza do Danúbio. Como dito no início do texto, a cidade carrega em sua história, momentos devastadores da invasão nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Para quem se interessa por essa parte da história, dois passeios com esse enfoque são:  Walking tour sobre o comunismo e a visita à Casa do Terror, que embora tenha um nome que lembre as atrações de parques de diversão é, na realidade, um museu com registros das barbaridades que se cometeram nos dois períodos mais sombrios da história do país. Lá você encontra fotos, objetos, esculturas e exposições, dividas em quadro andares de museu.

Passeio de barco pelo Danúbio

Percorrer as águas tranquilas do Danúbio é uma sensação maravilhosa, principalmente à noite. No total, um passeio leva pouco mais de 1 hora, passando por todos os monumentos já comentados acima.

É difícil imaginar que este rio, de importante interesse comercial, atravessa o continente europeu de oeste a leste, passando por mais de 10 países – dentre eles: Alemanha, Austria, Ucrânia e Eslováquia. Aliás, é comum ver grandes cruzeiros passando ou ancorados em suas margens.

Passeio de barco pelo Danúbio às 20:30, no verão.

Ponte das Correntes (Chain bridge)

Esta é a primeira ponte a ligar Buda à Peste, construída em 1849. Seu design inglês parece combinar com a cidade, e a cor esverdeada dão um tom fotogênico a essa ponte, que chega a servir de terraço para os jovens que a escalam para ver o pôr do sol nos dias de verão.

Para atravessá-la de ponta a ponta, demora 5 minutos e há faixas largas de pedestre dos dois lados, onde acabam passando pessoas e bicicletas.

Vista do alto do Castelo de Buda

Great Market Hall

Ao contrário de outros mercadões na Europa, que são mais um “pega-turista” (Ex: o La Boqueria, em Barcelona), o Great Market Hall é um lugar frequentado também pelos moradores locais e um ótimo passeio até mesmo nos dias frios e de chuva.

O lado externo do prédio, lembra uma obra de Gaudí, com telhados coloridos de Zsolnay e, internamente, sua estrutura de ferro imita uma estação ferroviária francesa. Este é um lugar espaçoso e cheio de lojas, onde no primeiro andar você encontra frutas, verduras e produtos – principalmente páprica- e vinho húngaro. No andar de cima, há lojas de suvernires e restaurantes, e no porão, menos frequentado, as peixarias e açougues.

Estando lá, não deixe de experimentar o Lángos, uma massa frita com diferentes coberturas.

 Endereço: Vámház krt. 1-3, 1093 Budapeste,Hungria. – no pé da Ponte da Liberdade

Início do Tour Gastronômico com Langós e Unicum, um liquor húngaro. Local: Market Hall

Como planejar sua viagem


Quando ir a Budapeste

No inverno,  além da beleza das luzes e festividades natalinas em dezembro, há uma grande chance de neve, principalmente em janeiro. Já o verão atrai um grande número de turistas e é uma época super agradável, porém as hospedagens costumam ser mais caras.

As estações mais populares são as de transição, pouco antes e depois do verão, quando a temperatura está mais amena (em torno de 16 ºC) e há mais opções de atividades ao ar livre. Esses meses são entre abril e junho e de setembro a início de novembro.

Quanto tempo ficar

Budapeste é uma cidade com muitos atrativos, o ideal seria pelo menos 3 dias inteiros.

Como se deslocar

A parte central da cidade, assim como os pontos históricos, podem ser tranquilamente acessados a pé. Caso prefira algum meio de transporte, opte por comprar o passe de transporte público diário (travel card).

  • A rede pública de transporte engloba: metrô, ônibus, trolley e os yellow streetcars. Os vagões amarelos são ótimos para percorrer a margem do Danúbio de um lado para o outro, em especial os números 2 (do lado Peste), o 19 (do lado Buda) e o 49 que atravessa entre Buda e Peste.

Os bilhetes podem ser comprados dentro das estações de metrô, lojas de conveniência e bancas de venda. Para saber os preços, consulte o site da BKK, empresa de transporte.

Dica: Não entre em nenhum transporte sem bilhete, as multas são altas e não há como escapar. A multa deve ser paga na hora (8.000 HUF).

  • Táxis: apesar da cidade ter um trânsito estilo São Paulo, os táxis possuem pista especial e são bem eficientes e rápidos, especialmente à noite quando o número de transporte público é limitado.

A dica para não se estressar é: NÃO PEGUE os táxis na rua. Sempre é mais barato ligar nas empresas e pedir o táxi para o hotel ou restaurante onde você se encontra. E quais empresas são confiáveis? Citytaxi: (+36-1) 211-1111
Főtaxi: (+36-1) 222-2222 e Budataxi: (+36-1) 233-3333, por exemplo.

 


 

Espero que tenha gostado dessas dicas sobre Budapeste e comente depois com a gente como foi a sua viagem! 🙂