No meu período de férias em Peruibe, tive a sorte de conseguir dedicar dois dias para fazer um passeio em Cananéia e curtir um pouco mais do calor e das belezas naturais do Brasil, antes de voltar para a terra do gelo (Dinamarca). Peruibe fica a apenas a 174km de Cananéia e é uma ótima opção de passeio para quem mora no litoral sul de São Paulo. Ainda é surpreendente o número de pessoas que nunca ouviram falar de Cananéia, ou mesmo, nunca se planejaram para conhecer. E digo, vale muito a pena!

Distâncias:

  • Santos: 254km ( via Br-101 e BR-116)
  • São Paulo: 264km ( via Br-116)
  • Iguape: 91km ( via Rod. Ivo Zanella e Estr. Pref. José Herculano de Oliveira Rosa )

Um destino próximo da capital paulista,  barato, com várias praias, cachoeiras, trilhas, piscinas naturais e o mais encantador, a quantidade de botos nadando a 1m de distância de você.

No Brasil, não são muitas as oportunidades de chegar próximo aos golfinhos em seu habitat natural, como é em Cananéia.

Viagem 

Tirando uma parte da estrada que é bem esburacada, no geral, é bonita, arborizada, cheia de ipês amarelos dos dois lados da via. No caminho, passamos por dois Graal, onde também tomamos café e abastecemos. A estrada é bem sinalizada e quase não pegamos congestionamento, o que nos permitiu viajar em duas horas, partindo de Peruibe.

Hospedagem 

Como a viagem foi de última hora e ainda é época de férias (janeiro), não conseguimos pegar quarto no mesmo hotel para todas as pessoas que estavam indo. Dividimos o pessoal então entre dois lugares:

  • Hotel Marazul 

Indicação de um amigo que sempre visita a cidade, tem a localização excelente, pois apesar de não ser bem no centro, está a uma distância em que ainda é possível fazer tudo a pé. Além disso, a vista do hotel era para o mar pequeno e a Ilha Comprida.

O hotel era simples, mas muito aconchegante, com ar condicionado e bastante espaço nos quartos. Na área comum tinha uma grande piscina com toboágua e parquinho para as crianças, mas a melhor atração para os adultos era o bar no nível da piscina.

A vista do hotel também é um diferencial do local. Durante o dia, vários barcos trafegam pela região e quando o movimento é baixo, pela manhãzinha ou final de tarde, ainda dava pra avistar alguns botos nadando. O café da manhã é simples, mas gostoso. Para o Dani que é estrangeiro, faltou uma variedade de ovos ou outras proteínas. Mas por outro lado, todo dia tinha bastante frutas e bolos.

O valor da diária agora para janeiro 2018 foi de 270,00 o casal e R$310,00 para o quarto triplo.

  • Pousada da Néia

Essa pousada fica mais afastadinha do centro, na avenida principal. Os quartos também são simples mas tudo muito limpinho e organizado. Tinha um excelente café da manhã e também é um pouco mais barata que os hotéis do centro. O valor ficou de 220,00 a diária e pra quem tem carro, ou não liga de andar a pé, é um bom investimento.

O que fazer 

Cananéia não tem praia, e a baía que dá para o Mar Pequeno não é apropriada para banho. Por outro lado, a cidade tem grande bagagem histórica e outros atrativos como florestas, trilhas e cachoeiras. Dentre os pontos de interesse estão a cachoeira do Pitu, do Mandira e do Rio das Minas, essas duas últimas mais distantes e exigem acompanhamento dos monitores ambientais.

Centro histórico

A primeira vez que vi o centrinho achei muito parecido com o de Paraty-RJ, as casinhas antigas, coloridas, dando um cenário do tempo colonial na cidade. Mas os prédios não são tão velhos, são do início do século XIX e a  rua com casas mais antigas são as da Rua Tristão Lobo. Um fato curioso é de as calçadas em várias ruas serem bem altas, sendo algumas vezes difícil estacionar o carro. Depois descobri que as guias altas facilitavam para que as pessoas pudessem entrar em seus carros antigamente.

O centrinho é super gostoso de caminhar, tem vários restaurantes, sorveterias e lojinhas de artesanato. Não demora pra dar uma voltinha a pé e para minha surpresa, agora na alta temporada tinha bom policiamento nas ruas. Eu me senti bem segura pra caminhar com a câmera e celular e até mesmo voltar para o hotel tarde da noite.

Na praça Praça Martim Afonso encontra-se um obelisco e dois canhões, que restaram do tempo em que os ingleses ocupavam o Pontal da Trincheira. E ao fundo, a vista da Igreja São João Batista, que mesmo sendo uma igreja extremamente simples, tem grande valor histórico, pois é uma das mais antigas do país (1577).

Próxima a igreja, está a Rua do Artesão, onde há exposições de artesões locais. No dia em que fui estava tudo fechado, mas quem conseguir visitar é uma oportunidade de comprar uma lembrancinha da cidade e também apoiar os moradores locais que dependem do turismo como forma de renda.

Também no centro, encontra-se o Píer municipal,na Avenida Beira Mar, de onde saem as balsas e barcos para passeios em outras ilhas.

Pelo tráfego continuo da balsa, de barcos e pessoas, nessa região é difícil avistar os botos, a não ser que em horários mais calmos. Meu irmão conseguiu ter um show particular às 5:30 am.

Patrimônio histórico

Cananéia no entanto, não é só natureza. É também uma cidade de grande patrimônio histórico e cultural, que reinvidica ser a cidade mais antiga do Brasil. Segundo relatos históricos ela foi mencionada pela primeira vez já em 1502, durante a época do descobrimento.

O museu localizado no centro da cidade é pequeno e simples, mas permite que o visitante entenda mais da história da região e da colonização. Custa apenas 5 reais e é um passeio rápido. O que faz ainda mais valer a pena é ver o tubarão branco embalsamado que foi capturado em 1992 e é o segundo maior do mundo, com 5,5m de comprimento.

Cultura e Gastronomia

A população caiçara é a que vive na região, e as pessoas são simples, felizes e receptivas. Muitos se locomovem com bicicleta e isso despertou admiração do meu marido, que cresceu em Copenhague, onde bicicleta é o meio de locomoção número 1.

Mas a simplicidade é o que torna o lugar tão atrativo. Andar a vontade, de chinelo e poder sentar na beira mar ou na beira da calçada para curtir uma comidinha caseira não tem preço.

A gastronomia é predominante de frutos do mar devido a abundância em vida marinha na região. Nos menus porém, poucas opções de carne e frango. Acredito que para os vegetarianos também seja um pouco difícil achar o que comer. Alguns restaurantes que experimentamos foram :

  • Bistro Vila Maria : comidinha caseira, bem preparada e ambiente acolhedor. Vale a pena conhecer. Recebeu 1º lugar como restaurante pelo tripadvisor.Rua Jair de Melo Viana, 106

Camarões grandes grelhados acompanhados de risoto de polvo, marisco, mexilhão e vôngole. Fonte: http://viamariabistro.com.br

  • Restaurante Pont’s Café: bem na Av. Beira-Mar, de frente para água, o restaurante Pont’s tem um espaço aberto para curtir os dias de calor e também uma área fechada detalhadamente decorada. A comida não é tão barata, mas as ostras que ele vende com queijo parmesão, são simplesmente as melhores que já comi. De entrada o carpachio de polvo e de robalo também são de tirar o chapéu. Uma noite para 6 pessoas, com bebidas, porçao de isca de peixa, 12 ostras e porção de carpachio sairam por 400,00 reais. Mas a experiência gastronômica valeu a pena.

Passeio para a Ilha do Cardoso

Parada obrigatória para quem está na região é visitar o  Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC), que abriga uma enorme diversidade biológica e onde é predominante a vegetação de Mata Atlântica, uma das maiores áreas contínuas de floresta do estado de São Paulo.

No nosso primeiro dia inteiro, decidimos que iríamos aproveitar o sol e atravessar de barco para a Ilha do Cardoso, até a Praia do Pereirinha. Ao invés de sairmos do píer municipal, fizemos um acordo para que o barco nos pegasse no píer do próprio hotel. Essa negociação é possível com qualquer barqueiro da região e no nosso caso, o próprio hotel que ligou e reservou um horário para nós. O valor foi de R$ 41,00 por pessoa.

Mas para visitar a Ilha, basta chegar no píer municipal que tem barcos saindo a todo momendo.

O trajeto de barco durou 15min. e o mar estava bem tranquilo. Vale a pena fazer o passeio se o tempo estiver bom, ou pelo menos, não estiver chovendo, pois você agenda com o próprio barqueiro o horário que eles irão retornar para buscar na praia. No nosso caso ficamos das 9:30am às 17 hrs. Pra quem curte praia e natureza, esse tempo é ideal.

É importante ressaltar que a infra-estrutura da ilha é simples, apenas dois quiosques e pra quem quer ficar bastante tempo, o recomendado é levar guarda-sol, tenda, cadeiras de praia, toalha, esteira e coisas pra beber e comer. Pode parecer meio “zona” levar tudo isso, mas faz toda diferença ir bem equipado.

As pessoas que não se programam, ficam refém dos preços dos quiosques e sem sombra para se abrigar do sol forte.

Apesar do grande número de turistas, achei a praia bem limpa. Não havia garrafas e sujeiras no momento em que chegamos. Na água apenas restos de folha e galhos o que é normal para uma praia cercada por floresta.

Ao caminhar para o norte da ilha, uma região desabitada e selvagem. Da ponta da praia, dá pra ver o encontro do braço de mar com o rio e as ondas violentas da região. Ao prestar atenção no mar, é possível acompanhar o voo das fragatas que mergulham para pescar e se alimentar.

O ecosistema da região é composto por mangues, dunas, restingas e mata atlântica. Quando caminhamos para o sul da ilha, demos de cara com o Rio Perequê desaguando no mar. O visual é lindo e bem cedo pela manhã, haviam pouquíssimas pessoas, o que nos permitiu tirar muitas fotos e atravessar o rio a pé enquanto ainda estava baixo.

Na areia, plantas rasteiras com flores roxas davam um toque ainda mais especial a vegetação da região. E não muito distante dali, percebi que tinha um grupo de turistas que tiravam foto dos botos nadando super perto da margem.

Os danados se exibem quase a 1 m de distância das pessoas. Eles ficam na saída do rio, esperando para se alimentar dos peixes menores que vem com a correnteza.

Logo na chegada de barco, fomos abordados pelos monitores ambientais que trabalham no Parque e ficamos sabendo de um passeio que incluia uma pequena trilha, o mirante e o museu da Ilha do Cardoso. Esse passeio começa a cada uma hora e demora em torno de  1 hora. Não é um tour muito detalhado, ou pelo menos eu não dei muita sorte por ser o último do dia. Mas pelo valor de R$10,00 achei que valeu a pena. Começamos uma pequena trilha que passa pelos mangues, a monitora explica sobre o ecossistema da região e algumas curiosidades com relação as espécies que habitam o mangue.

O museu é bem simples e de infraestrutura rudimentar, tem como principal atração a ossada de um filhote de baleia jubarte que encalhou na região em 2002. Segundo a monitora, é a única ossada completa de baleia em todo o Brasil e por isso tem extrema importância. Muitos biólogos e pesquisadores vão ao museu apenas para fotografar a baleia.

Mas outros animais também estão expostos e alguns baners com foto da região. Eu achei que faltou um pouco de informação por parte da monitora no tour do museu. Em um cantinho isolado do museu, por exemplo, tinha um amontoado de conchas com alguns intrumentos pré históricos e fiquei um pouco curiosa, pois nada foi mencionado a respeito. Depois descobri que essas conchas acumuladas que formavam umas montanhas, são os sambaquis. Há milhares de anos atrás, os povos primitivos que ocupavam o local faziam os sambaquis e esses até hoje podem ser encontrados na região, tornando-se um importante sítio arqueológico.

O mirante estava fechado para reforma e não pudemos curtir a vista. Por outro lado, nos arredores, conseguimos ver os alojamentos onde ficam os pesquisadores e estudantes quando visitam a ilha. Ainda há alguns moradores no local também.

Opções de passeios em Cananéia 

Como minha estadia foi de apenas dois dias, tive que me limitar aos pontos mais próximos do centro de Cananéia, mas pra quem tem vontade e disponibilidade para explorar mais, as opções de passeios são infinitas. Estas são algumas opções:

 

No caminho para lá, se tiver tempo no roteiro ou se o tempo não estiver dos melhores, programe para visitar a Caverna do Diabo