Há uma década, quase nada se ouvia falar sobre a Islândia. Apenas uma minoria de viajantes, dentre eles os mais aventureiros, se arriscavam a explorar essa pequena ilha nórdica.

Achar informações e guias sobre planejamento de viagem era um desafio. E quando se conseguia achar um material bom, geralmente era em inglês.

Mas há males que vem para o bem. A erupção do vulcão Eyjafjallajökull em 2010 espalhou cinzas vulcânicas pelo norte do continente europeu, causando uma paralisação generalizada no tráfego aéreo, com efeito cascata em todo o mundo.

A partir desse episódio, a Islândia começou a chamar atenção para a sua magnífica geografia, com relevos e condições climáticas adversas.

Nessa época, o país sofria com os efeitos da crise de 2008, e a coroa islandesa estava bastante desvalorizada. O plano do governo para retomada econômica era justamente concentrar esforços no indústria turística. Não só deu certo, como o turismo na ilha explodiu.

Se você está planejando visitar esse destino inusitado, só imagino quantas dúvidas não estão surgindo na sua cabeça. Eu já estive no seu lugar! Ao viajar para um lugar tão novo para o turismo, pode ser angustiante reunir todas as informações necessárias para ter aquela sensação de tranquilidade. E digo, mais que qualquer outro destino, a Islândia envolve bom planejamento: quantos dias, roteiro, hotéis e orçamento.

Pensando nisso, reuni neste guia todas as informações e dicas necessárias para que você também possa organizar uma viagem inesquecível.

Lago Jökulsárlón, no sul da Islândia

 

 

Sobre o país

A Islândia é uma ilha nórdica européia, banhada pelo Oceano Atlântico do Norte e pelo Oceano Ártico. Vizinho de países como Dinamarca e Noruega  a ilha possui um total de 320 mil habitantes, os quais vivem em sua maioria na capital Reykjavík.

A razão para a Islândia ser tão única, se dá primeiramente ao fato de estar localizada sob uma fenda ativa entre duas placas tectônicas: a norte americana e a euro-asiática. A medida que essas placas se afastam, o magma se eleva, resultando em vulcanismo.

A partir daí, outros fenômenos naturais também contribuíram para formar a paisagem e relevo do país: campos de magma, deserto de cinzas, praias de areia negra e grandes geleiras, que consequentemente deram origem a milhares de cachoeiras.

 

 

Idioma na Islândia

Mapa das atrações no norte da Islândia

O idioma oficial do país, o islandês é descendente da língua nórdica antiga, tal qual o norueguês ou dinamarquês. Porém, diferente destas, sofreu pouquíssimas variações ao longo dos séculos e hoje é considerada a mais preservada entre suas similares nórdicas. Ainda hoje, existe uma motivação muito forte para preservar as tradições linguísticas de influências externas.

Apesar disso, o ensino de idiomas estrangeiros é considerado de extrema importância: inglês e dinamarquês são matérias obrigatórias no colégio. O inglês é comumente falado no país inteiro e quem também sabe se comunicar nessa língua não terá nenhum problema.

As sinalizações ao redor do país, no entanto, são todas na língua local e quase que impronunciáveis para nós, estrangeiros. As terminações de algumas palavras indicam do que se trata determinadas atrações e ajudam na hora de navegar pelo país:

  • jökull: glaciar
  • vollur (s), vellir (pl.): campos
  • bær: cidade
  • fjall: montanha
  • foss: cachoeira
  • vatn (s), vötn (pl): lago/lagos
  • hellir: caverna

 

 

Como chegar na Islândia?

O Aeroporto de Keflavik (KEF), localizado na cidade homônima, é o aeroporto internacional da Islândia. Funciona 24h e conta com uma moderna infraestrutura.

Não há voos direto do Brasil, mas com apenas 3 a 4h de voo a partir dos principais centros urbanos da Europa é possível chegar na Islândia. Entre as empresas aéreas, se destacam Icelandic Air, Lufthansa, British Airways, Delta, SAS e as famosas low cost Norwegian, Easyjet e Wow Air (confira todas as empresas aqui)

Para aqueles que irão alugar um carro para viajar ao redor da ilha, é possível já retirá-lo no aeroporto ou usar o transfer da locadora até o local de retirada do carro (foi o meu caso).

Do aeroporto, o comum é fazer a primeira parada na capital Reykjavik, 48km ao norte de Keflavik. Empresas como Airport Direct e a Airport Express oferecem transfer coletivo ou privativo para esse trajeto.

 

 

Clima na Islândia: quando ir?

Falésias de Londrangar, no norte da Islândia.

Apesar de ser uma ilha isolada no extremo norte e possuir um nome que remete à “gelo”, a Islândia é, na verdade, uma região de clima temperado a maior parte do ano. Isso graças à corrente do Golfo que passa pela região. Sendo assim, o verão é mais fresco (temperaturas entre 9 e 14ºC) e o inverno, surpreendentemente ameno, com temperaturas que ficam pouco abaixo de zero.

As temperaturas oscilam pouco entre as estações do ano, no entanto, o verão e as meias estações são as melhores épocas para viajar.

Novembro – Fevereiro

Temporada marcada por poucas horas de luz diária e pelo fechamento de muitas estradas. Para quem procura a aurora boreal e lindas paisagens de neve essa é uma ótima oportunidade. Porém, para o turista que busca aventura e quer explorar com afinco o país, as limitações do inverno podem ser um pouco frustrantes.

Junho – Agosto

São os meses do famoso sol da meia noite, que, a princípio, soam como uma grande vantagem. Por outro lado, esse fenômeno pode causar dificuldades para dormir e levar ao cansaço excessivo devido a resistência das pessoas em querer conhecer o máximo possível. Essa é a temporada mais procurada, o que leva o preço das acomodações e passeios às alturas.

Maio e Setembro/Outubro

Eu viajei no início de setembro e posso fortemente recomendar essa época para viajar. Apesar do elevado número de turistas ainda no final da alta temporada, o clima é ameno, as condições das estradas são boas, há muitas opções de passeios disponíveis e os dias são longos o suficiente – o pôr do sol é às 20:45 – para aproveitar bastante.

E como bônus, possivelmente terá, com um pouquinho de sorte, a chance de ver aurora boreal.

 

 

Quanto tempo ficar?

Para efetivamente começar o planejamento da viagem como um todo, o mais importante a definir é quantos dias você pretende ficar. Isso determinará seu itinerário e também seu orçamento (falaremos disso mais detalhadamente em um post futuro).

A estrada principal, que dá a volta em toda a ilha, é a Rota 1, conhecida popularmente como Ring Road. Sua distância total é de 1.332km. Considerando a velocidade média das estradas de 90km/h e os milhares de pontos interessantes para parar, você pode imaginar que uma viagem com menos de 7 dias seria uma correria total.

Para quem não disponibiliza de todo esse tempo, pode optar por fazer a rota do Golden Circle, um roteiro que prioriza as principais atrações próximas da capital Reykjavík e que pode ser feita de 3 à 5 dias.

Baseada na minha experiência e no que pude compartilhar com outros viajantes, eu diria que o recomendado é uma viagem de, pelo menos, 10 dias.

Esse período é bastante corrido, mas já dá pra considerar dar a volta na Ring Road, fazer paradas extras, conhecer lugares fora da rota turística. Se o objetivo for fazer o mesmo percurso com mais tranquilidade, considere 12 dias.

 

 

Como se locomover? 

Várias opções de transporte estão disponíveis para locação: carros convencionais, 4×4, super jeep, motorhome, caminhonete com quarto acoplado e ônibus intermunicipais.

Todos os meios de transporte terão vantagens e desvantagens que estão atreladas diretamente a forma de acomodação. A seguir, algumas considerações sobre as formas de deslocamento mais populares entre os turistas.

Estrada beirando a montanha, Islândia

Carros convencionais e 4X4

Viajar de carro é fácil e, a menos que você pretenda encarar caminhos off road, um veículo convencional já é o suficiente. A desvantagem desse tipo de locomoção é que você terá que providenciar a acomodação a parte.

Isso naturalmente demanda mais trabalho, uma vez que você terá que planejar todo o itinerário com antecedência e reservar hotéis ou airbnb. Outro ponto é que essa decisão engessa o seu roteiro, não permitindo a flexibilidade de se deter mais tempo em lugares que te agradam ou a possibilidade de alterar o itinerário.

Porém é uma forma mais rápida e mais confortável de viajar.

 

 

 

 

 

Motorhome

Desbravar a Islândia de motorhome é a viagem dos sonhos. Ter acomodação disponível a qualquer momento, poder parar quando tiver vontade, não ter que se preocupar com o horário de check in e check out é uma ideia bastante sedutora.

Por outro lado, ao contrário do que muitos imaginam, não é permitido estacionar em qualquer campo vulcânico com vista para o mar. Trailers e motorhomes só podem passar a noite em áreas específicas, sendo necessário pagar pelo estacionamento. Além disso, tem toda a parte de manutenção do veículo, como abastecer com água potável, descarregar resíduos do banheiro e, por último, não poder transitar por vias de menor qualidade.

Areas específicas para camping na Islândia

 

 

Como planejar o itinerário

Apesar de ser um país pequeno, a Islândia tem uma geografia extremamente diversa. Para ter uma visão geral desse território, é importante tomar conhecimentos das principais regiões do país:

  1. Reykjavik – Capital Region
  2. Reykjanes in South Iceland
  3. South Iceland
  4. The highlands of Iceland (entre North Iceland and South Iceland)
  5. East Iceland
  6. North Iceland
  7. Westfjords
  8. West Iceland

Mapa com as regiões da Islândia

Cada região tem as suas particularidades: seu território, diferentes formações rochosas, praias, vulcões, fauna e flora.

A parte que considero mais agitada é a sul, pois é onde se concentram os maiores atrativos turísticos. São dezenas de pontos famosos para conhecer, como as cachoeiras Seljalandsfoss, Skógafoss, Gullfoss e Svartifoss, parques nacionais onde é possível ver o encontro das placas tectônicas (Pingvellir), praias de areia negra com falésias (Reynisdrangar), passeios para as geleiras e vulcões, entre outros.

 

Onde se hospedar?

 

Rede de hoteís Foss no noroeste da Islândia.

Esse é um problema inexistente para quem viaja de motorhome, trailers e campervans. No entanto, a disponibilidade de estacionamento para passar a noite vai depender da época do ano em que estiver viajando.

Os campings e os estacionamentos próprios para passar a noite são apresentados em um mapa pelas locadoras de carro. Esses espaços são pagos, para que você possa usufruir das facilidades e serviços – as diárias variam entre 10 e 20.

Com a explosão do turismo nos últimos anos, não somente o número de hotéis e hostels se multiplicaram, como também outras opções de acomodação começaram a se tornar populares: guesthouses, pousadas, apartamentos e até cabanas para alugar.

A dificuldade em questão não está relacionada ao número de alternativas disponíveis, mas sim ao planejamento específico do itinerário. Afinal, para viajar ao redor da ilha, é necessário reservar uma noite em cada hospedagem, avançando sempre em determinada direção.

Uma opção para quem não quer esquentar a cabeça com todos esses pormenores é contratar um serviço que faz todo o planejamento por você.

Foi o que fiz: contratei minha viagem por uma agência que providenciou o meu itinerário e reservou todos os meus hotéis, incluindo o carro. Além disso, me deixou à disposição um agente para possíveis dúvidas antes e durante a viagem.

 

 

O que levar?

Alguns acessórios e roupas especiais farão toda a diferença para você aproveitar ao máximo a sua viagem. Ninguém quer deixar de se encantar com as belezas naturais da Islândia só por causa de uma chuvinha ou ventinho, né? Então não deixe de incluir na sua mala:

Roupas:

  • Diferentes espessuras de blusa
  • Meia de lã
  • Botas para trilha à prova d’água
  • Casaco corta vento / à prova de chuva
  • Calça térmica
  • Cachecol, touca e luvas
  • Roupa de banho
  • Toalha

Acessórios

  • Lanterna
  • Térmica para água e café
  • GPS
  • Chip para celular internacional
  • Mochila
  • Garrafa de água de vidro (pois é reutilizável e tem menor impacto no meio ambiente)
  • Carregador de celular para carro ou powerbank
  • Baterias extras para a câmera
  • Máscara de dormir no verão (item indispensável se você tiver problema com luminosidade)

 

 

Moeda e câmbio

Moeda oficial da Islândia

A moeda oficial da Islândia é o “Krona”, conhecido pelo símbolo “ISK”. O câmbio pode ser feito em vários locais no aeroporto, mas as melhores cotações estão no centro de Reykjavik, diretamente nas agências bancárias.

Cotação setembro 2018 para $1 dólar americano

  • Kr 109
  • R$ 4,14
  • ‎€ : 0,85  

Para facilitar as contas, considere um real equivalente a 25 kronas (assim, para saber quanto algo custa, basta dividir o valor por vinte e cinco).

Uma das maiores vantagens para quem prefere usar cartão de crédito para viajar é que você pode usá-lo em qualquer lugar, até mesmo para pagar pedágio. Em 10 dias de viagem, por exemplo, não usamos dinheiro vivo em absolutamente nenhum lugar.

Caso você prefira andar com dinheiro, tire uma quantia alta (lembrando que $100 é Kr 10.000). E lembre-se de que a maioria das atrações são gratuitas: cachoeiras, parques nacionais, praias e gêiseres, por exemplo.

Em breve no Mundo Mio: Quanto custa viajar para a Islândia? 

 

 

Gorjeta

A maioria dos restaurantes já inclui uma taxa de serviço e por isso, gorjeta é incomum e não obrigatória. O mesmo acontece para concierge de hotéis, camareiras, táxi e outros serviços.

Para quem procura apreciar um serviço com gorjeta, 10% é o usual, ou mesmo arredondar o valor da conta.

 

 

Chip de Celular

Mais do que em qualquer outra viagem internacional, ter um sim card internacional na Islândia irá te ajudar imensamente. Procurar rotas alternativas para o GPS, conferir a previsão do tempo, checar as notícias e os avisos de emergências (atividade sísmica), fazer conversão de moeda online, ler sobre atrações e restaurantes, se comunicar com as autoridades e com a locadora em casos de acidente. Esses são apenas alguns dos motivos para estar conectado durante toda a sua viagem.

Para comprar chip de celular, há tanto as opções que você adquire antes da sua saída no Brasil (EasySim4u) quanto as que você compra localmente, em lojas de conveniência.

Para quem mora na União Europeia, como eu, é possível usar o chip do seu país de origem sem pagar roaming.