Montar o roteiro de viagem pela Europa só não é mais prazeroso do que… viajar pela Europa! Em razão da diversidade de destinos e dos muitos tópicos a se considerar, especialmente sobre deslocamento e busca pelos menores preços, esse planejamento pode ser bastante desafiador.

No entanto, se dedicar à tarefa de montar seu roteiro de viagem pela Europa pode ser também um momento de incríveis descobertas – basta olhar o mapa do continente europeu para se surpreender com tantas possibilidades. Essa etapa é a prova viva de que a viagem começa muito antes do avião decolar!

Momento de preparação da viagem

Minhas sugestões, separadas em 10 passos, envolvem pré-planejamento (questões básicas sobre você, como viajante, e questões práticas sobre a viagem), planejamento (pesquisa e elaboração do roteiro de fato) e pós-planejamento (primeiras ações efetivas para colocar a viagem em prática).

 

 

PRÉ-PLANE JAMENTO

1) Entenda que tipo de viajante você é

Antes de começar a planejar o roteiro de viagem pela Europa de fato, é preciso entender qual o seu perfil de viajante. O continente é formado por 50 países, portanto, existe uma infinidade de lugares a conhecer. Não baseie suas escolhas apenas nos lugares must see. A viagem é sua e deve ser feita sob medida de acordo com os seus interesses.

Já publiquei alguns posts no Mundo Mio com sugestões de melhores destinos na Europa. Destinos urbanos, para quem prioriza cidades instigantes que nunca param; destinos de aventura, para quem prefere atividades em contato com a natureza; destinos culturais, para se aprofundar nas singularidades históricas e artísticas do local; destinos de praia, para curtir sol e água fresca; destinos de vilarejo, para se encantar por pequenas vilas paradas no tempo; e destinos gastronômicos, para quem gosta de comer bem.

Praia da Grécia

É preciso ter em mente também a expectativa de gastos e o nível de conforto esperado. Se o dinheiro estiver curto, melhor priorizar países mais baratos, especialmente se você não abre mão de certas regalias, como se hospedar em hotel e jantar fora. Ninguém sai de férias para passar trabalho, certo? Agora, se você faz mais o perfil mochileiro, não tem dificuldade que não sirva como experiência!

2) Conheça as regras do Espaço Schengen e do visto para brasileiros

Burocracias fazem parte de qualquer planejamento de uma viagem internacional. No caso da ida à Europa, ao menos existe uma facilidade: o Espaço Schengen. Essa zona de livre circulação permite que você transite por 26 países do continente durante 90 dias, passando por apenas um controle de imigração (na chegada) e sem solicitar previamente nenhum visto.

Antes de viajar, é preciso providenciar apenas alguns documentos. Tudo começa pelo passaporte, que deve ter sido emitido até 10 anos antes e ser válido por pelo menos três meses após a sua data de retorno. É necessário providenciar também o seguro viagem (no valor de €30.000) e as cópias da passagem de volta ao Brasil e dos comprovantes de hospedagem.

3) Defina a melhor época e o período para viajar

Normalmente são as próprias circunstâncias que decidem por nós, já que o brasileiro costuma ter 15 ou 30 dias de férias, e, muitas vezes, apenas nos concorridos meses de janeiro ou de julho. O raciocínio é simples: a melhor época para viajar é aquela em que se pode viajar. E 15 ou 30 dias são suficientes para aproveitar muitos lugares.

Se puder escolher quando ir, prefira o outono ou a primavera. Nessas épocas as temperaturas são mais amenas, os lugares não estão tão cheios e as tarifas praticadas pela rede hoteleira são mais amigáveis. Priorize o inverno ou o verão apenas se o motivo da sua viagem envolver atividades que ocorrem unicamente nessas estações, como, por exemplo, a caça à aurora boreal e banhos de mar no Mediterrâneo.

Caso tenha disponibilidade para permanecer mais que um mês, aproveite o maior tempo de duração da viagem para elaborar um roteiro mais flexível. Agora, se a viagem for mais curta, lembre-se que o deslocamento toma tempo. Considere, portanto, esses dias pela metade ou até completamente perdidos. Resista à tentação de incluir mais do que quatro destinos principais no seu roteiro de viagem pela Europa.

4) Considere as possibilidades de como levar dinheiro

Quem viaja para a Zona do Euro deve levar euros e quem viaja para o Reino Unido deve levar libras. Nesses dois casos compensa fazer o câmbio no Brasil. Agora, quem viaja para os demais países deve levar dólares ou euros e fazer o câmbio final somente no destino. Essas outras moedas, por terem pouca procura no Brasil, têm taxas muito altas. Parece estranho, mas sai mais em conta fazer dois câmbios.

euro em espécie

Como nem só de dinheiro em espécie vive o turista, é bom considerar também outras possibilidades. O cartão de crédito é útil para imprevistos e o cartão pré-pago (travel money) é prático. No entanto, para a utilização de ambos, é cobrada a taxa de 6,38% do IOF. Dessa forma, o mais indicado é tentar conciliar o uso dessas três alternativas, de modo a não carregar tanto dinheiro e nem pagar tanto imposto.

 

 

PLANEJAMENTO

5) Determine quantos dias ficar nos principais destinos  

Antes de tomar essa decisão é importante compreender a premissa “menos é mais”. Prefira conhecer poucos lugares, mas conhecê-los bem. Viajar não é apenas dar check na lista de cidades, mas, sim, ter a chance de se sentir um pouquinho pertencente ao lugar. Dessa forma, é preciso permanecer mais tempo que o necessário para apenas visitar os cartões-postais.

Para conhecer Londres e Paris, sete dias em cada é o ideal. Outros grandes centros urbanos, como Berlim, Roma e Lisboa, exigem quatro ou cinco dias. Capitais menores, como Copenhague, Praga e Dublin, precisam de três dias. Para regiões no interior ou na costa, como o Algarve, em Portugal, ou a Toscana, na Itália, separe quatro ou cinco dias. Nesses casos, é bom ter flexibilidade para ficar mais tempo na cidadezinha que mais lhe agradar.

 


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6) Avalie os demais destinos: bate-volta e paradas no caminho

A facilidade de deslocamento na Europa é mesmo uma vantagem. E você pode maximizar o potencial do seu roteiro ao incluir destinos como bate-volta a partir de uma cidade base e outros que são estratégicas paradas ao longo do trajeto. Assim, a viagem não se torna apenas mais dinâmica, como também menos burocrática. Perceba que esse é o tipo de sacada que somente viajantes mais experientes têm.

Após definir os destinos principais, pesquise também por vilarejos ou atrações que estejam a até 2h de deslocamento. Esses lugares são perfeitos para serem incluídos como bate-volta. Estude também o mapa em plano maior, para ver que cidades de porte médio estão no caminho e podem servir como um pernoite ideal. Exemplo máximo disso? Bratislava, capital da Eslováquia, entre Viena e Budapeste.

7) Monte um itinerário coerente

Isso significa tornar o mapa da Europa – seja em papel físico, seja em versão online –, seu maior aliado nesse período de planejamento. Verifique as distâncias entre os principais destinos, confira quais são os países fronteiriços com aquele que se quer visitar e veja que locais de interesse estão nas imediações. Ao final, marque no mapa todos os lugares que você tem intenção de conhecer.

Acessórios para viagem

Se a estratégia de planejamento permitir, intercale grandes capitais e cidades menores para que a viagem se torne menos repetitiva. Se possível, deixe o destino mais desejado para o final. Pode soar como um conselho esquisito, mas as chances de você se decepcionar com os demais lugares, por sempre compará-los ao primeiro e mais desejado, são enormes.

8) Estude todas as possibilidades de deslocamento

Caso pretenda visitar apenas grandes cidades, distantes entre si, considere viajar apenas de avião. Lembre-se que aeroportos costumam ser longe do centro e que o deslocamento pode tomar algumas horas. Procure pelas ofertas das companhias low cost, mas tenha em mente que nesses voos tudo é tarifado separadamente: da marcação de assento a cada quilo de bagagem extra.

Para distâncias intermediárias, o trem se torna a melhor escolha. As estações de embarque estão no centro das grandes cidades e a burocracia do check-in é muito mais prática. Graças aos trens de alta velocidade, mesmo longas distâncias já podem ser vencidas em poucas horas. Se a passagem de avião e de trem estiver custando o mesmo, opte pela viagem no mais tradicional meio de transporte europeu: você terá o bônus de lindas paisagens.

Companhia aérea europeia

O ônibus se torna a opção recomendada se você tiver mais tempo do que euros a gastar. E, em certas regiões, como os Bálcãs e os Bálticos, é também a única opção, já que a malha ferroviária é quase inexistente. Você também pode considerar viajar de carro, especialmente se a intenção for explorar o interior ou a região costeira de algum país. Nesses casos, a autonomia é vantagem incontestável.

 

 

PÓS-PLANEJAMENTO

9) Compre as passagens aéreas partindo do Brasil

Pronto. Você já sabe quando e durante quantos dias vai viajar, escolheu todos os lugares por onde deseja passar, traçou as rotas e estudou os meios mais convenientes para ir de uma cidade a outra. Agora sim é chegada a hora de comprar as passagens aéreas de ida e volta ao Brasil. Use e abuse dos sites de busca, especialmente dos alertas de preços, a fim de encontrar a passagem aérea mais barata.

Você deve simular o valor em três modalidades: ida e volta a partir da mesma cidade; ida por uma cidade e volta por outra; e passagem multidestinos incluindo todos os trechos feitos de avião. Ao colocar no papel todos os gastos, a segunda modalidade possivelmente será a mais em conta. Sem contar que apenas seguir o fluxo da viagem, sem precisar voltar ao destino de origem, é mais prático.

10) Compre as passagens internas e reserve os hotéis

Se você tiver optado pela primeira ou segunda modalidade de passagens aéreas, ainda vai ser preciso comprar os trechos internos, que poderão ser feitos de avião, trem, ônibus ou mesmo de carro, a depender do seu itinerário. A essa altura do planejamento, é chegada a hora também de reservar os hotéis (ou hostels) que mais se adequam a sua expectativa e ao seu orçamento de viagem.

Se a viagem for feita com roteiro fechado, especialmente em alta temporada, o melhor é mesmo garantir tudo. Porém, se a viagem for um pouco mais longa, um roteiro flexível cai bem. Sem reservas e sem passagens, sempre se tem a chance de ficar mais tempo naquela cidade que nos conquistou mais.