Pagar pelo seguro viagem internacional pode ter lá o seu peso no custo total do seu passeio. Mas garanto que não incomoda tanto quanto a insegurança de precisar de um e não tê-lo ou não contar com a cobertura apropriada. O desespero pode bater, principalmente quando está em um país com uma língua que não entende, e você ou os habitantes não se viram no inglês.

Eu já tive a sorte de poder contar com o seguro viagem em uma das minhas viagens para Bali, quando fui mordida por um macaco na visita ao templo de Uluwato. Além do pânico de ter sido mordida por um animal que vive na natureza, também tive a incerteza de quanto me custaria o tratamento, que envolveu uma consulta de emergência e três idas ao hospital para tomar as doses da vacina antirrábica. Para minha surpresa, tive que pagar as consultas do bolso (em torno de USS400) e depois fui reembolsada pelo seguro quando voltei pra casa. A experiência foi tranquila, pois acionei o seguro dentro do prazo e tinha todos os recibos.

Ter esse tipo de segurança em uma viagem, não tem preço. Tenho amigos que gastaram dinheiro e perderam dias da viagem com imprevistos, que poderiam ser amenizados com esse tipo de seguro. E é por isso que vou detalhar o que você mais precisa saber antes de contratar um seguro viagem internacional.

Por que é preciso fazer um seguro viagem?

A explicação é simples: você viaja para um determinado país e passa mal ou sofre um acidente, por exemplo. Então, é levado para um hospital, recebe medicamentos e faz exames. Como vai pagar essa conta? Sem um seguro, você vai ter que arcar com remédios, exames, consultas e até cirurgias e internações.

Grande parte dos países não atendem viajantes estrangeiros na rede pública de saúde. Ou seja, você vai ter que pagar tudo e a um custo bem alto. Um levantamento feito pela Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), relacionou o valor médio de gastos na área da saúde nos principais destinos: Estados Unidos e Europa:

Atendimento médico e hospitalar – 7 mil dólares (EUA)/ 2 mil euros (Europa)

Cirurgias e atendimentos mais complexos – 30 mil dólares/ 25 mil euros

Repatriação sanitária mais complexa – 30 mil dólares/ 25 mil euros

Repatriação por morte – 7 mil dólares/ 7 mil euros

Atendimento home care – 400 dólares / 350 euros

Dentista – 200 dólares/ 200 euros

O seguro viagem internacional funciona como se fosse um convênio médico, que garante alguns procedimentos e assistência para alguns percalços. As empresas de seguro viagem no Brasil devem incluir atendimento médico e odontológico, cobertura básica de morte acidental e/ou invalidez permanente por acidente, e traslado de corpo.

Ele não se restringe só à área da saúde, mas também vem em boa hora para outros imprevistos que podem complementar o seguro (veja mais abaixo). O mais importante para você se decidir se vale a pena ou não fazer um seguro viagem internacional é justamente o aperto no bolso.

Seguro x Assistência viagem

No geral, costumamos chamar esse convênio de seguro viagem. Mas a verdade é que tem uma diferença entre eles. No seguro, você paga todas as despesas do seu bolso e depois pede pelo reembolso. É preciso juntar todo tipo de comprovante, preencher um laudo e enviar à seguradora – dentro do prazo que ela estabelece – para você fazer o pedido assim que retorna da viagem.

Já a assistência te informa qual o hospital ou consultório que atende à rede, ou te encaminha um médico ao local onde você está. O contato prévio com a assistência é essencial. Muitas das seguradoras possuem um serviço misto entre seguro e assistência, o que serve como uma boa garantia para qualquer imprevisto quando estiver pelo mundo afora.

Eu já testei os dois lados e acredito que se você tem a possibilidade de desembolsar um possível atendimento de emergência para ser reembolsado depois, é melhor. Isso porque quando dependemos da assistência não temos autonomia de escolher a clínica mais próxima ou o lugar que mais que nos agrada. Melhor ainda é quando o seguro oferece assistência e você pode ter direito aos dois. De qualquer forma, ler a apólice sempre dará maior clareza de como tomar essa decisão de acordo com o seu tipo de viagem.

O que não pode faltar no seguro viagem internacional

  1. Na hora do aperto, espera-se o mínimo de conforto ou de facilidade para solucionar tudo. Por isso, é imprescindível que pesquise bastante qual empresa fará o seguro. Considere a rede de atendimento conveniada no país que irá visitar, além da praticidade do contato. Certifique-se de que realmente haja plantão 24 horas para quando precisar e que possa ligar a cobrar de onde estiver.
  2. Se você não fala bem inglês, evite contratar um seguro que não possui atendimento em português. De qualquer forma, qualquer médico que for te atender não terá a obrigação de falar o seu idioma. Então, esteja preparado!
  3. É sempre recomendável estender a cobertura para uns dois dias depois da data prevista que vai chegar da viagem. Atrasos podem acontecer e não se sabe se no último dia pode acontecer alguma coisa, não é?
  4. Outro item importante é a cobertura de acordo com a sua viagem. Se você tiver alguma doença crônica ou doença preexistente, informe para que tenha a cobertura necessária. E se você for praticar esportes radicais, como mergulho, escalada, rafting, esqui, entre outros, o seu seguro precisa ter essa especificidade (o que, naturalmente, altera o preço do seguro).
  5. Além de problemas de saúde, a cobertura também ajuda para perda de documentos, extravio de bagagem, reembolso por atraso e cancelamento de voos, assistência jurídica e repatriação do corpo em caso de morte.
  6. Caso tenha itens que sejam valiosos, como computador, celular, câmera fotográfica e instrumento musical, pode incluir no seguro também como parte da cobertura complementar.

Principais erros na hora de comprar um seguro

Você tem grandes chances de sair no prejuízo por…

  • Optar por empresas desconhecidas ou não checar o índice de reclamações contra ela na internet;
  • Não juntar os comprovantes necessários para pedir o reembolso;
  • Perder o prazo para o pedido de reembolso (algumas empresas dão um prazo muito curto, é preciso ficar atento);
  • Esquecer de incluir possíveis despesas médicas no orçamento da viagem;
  • Não checar o contrato e verificar a abrangência da sua cobertura;
  • Não levar o contrato impresso para quando a imigração pedir;
  • Deixar para procurar os telefones de contato com a assistência quando estiver em uma emergência;
  • Não deixar seus telefones nem os da seguradora com quem mais viajar com familiares no Brasil;
  • Não terá mão o comprovante de que seja segurado na hora em que estiver em uma clínica ou hospital;
  • Descobrir que não pegou todos os comprovantes necessários para pedir o reembolso quando já saiu do país onde tudo ocorreu;
  • Não entrar em contato com a assitência de viagem para saber qual endereço da rede ir (isso pode fazer com que o seguro seja anulado em alguns casos).

Países que exigem o seguro viagem

Mesmo que você não quisesse ter um, seria obrigado para entrar em alguns territórios. Para ingresso como turista, alguns países pedem o seguro: Cuba (mínimo de 10 mil dólares), Austrália, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Turquia. Para seguro viagem na Europa, os países que fazem parte do tratado de Schengen, exigem que você tenha cobertura mínima de 30 mil euros (confira no tópico abaixo).

Seguro viagem para Europa

Os países que integram o Tratado de Schengen, assinado em 1997, exigem uma cobertura mais completa no seguro para quem for visitá-los. Por isso, tenha certeza de que o seu seguro cobre as regras do tratado. O valor precisa ser igual ou acima de 30 mil euros, ou poderá ter problemas na imigração. Esteja pronto, caso precise apresentar o voucher e condições gerais do seguro, com as definições do serviço, cobertura e telefone da central de atendimento.

Países que exigem o seguro viagem nestas condições: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Polônia, Portugal, República Tcheca, Suécia e Suíça.

Países como Irlanda e Reino Unido não integram o famoso tratado e possuem suas próprias regras em relação ao turismo e à imigração. Consulte o consulado de cada país, mas o seguro é sempre indispensável.

Custo de um seguro viagem 

Como já mencionei anteriormente, o seu seguro varia de acordo com alguns pontos específicos. Os principais são:

  • Idade
  • Número de países que vai passar
  • Duração da viagem
  • Perfil da viagem (lazer, a trabalho ou negócios, prática de esporte ou intercâmbio).

O melhor é detalhar o que vai fazer na viagem e por quais países vai passar para que tenha uma cobertura mais coerente e garantida. O serviço também é especificado para idoso ou gestante, além de opção de plano individual ou familiar.

Praticamente todos os seguros têm valor em moeda estrangeira, com coberturas que podem variar entre 6 mil a 1 milhão de dólares. Parece exagero, mas vale lembrar mais uma vez que os serviços médicos no exterior são caros.

Quanto antes, melhor

Você pode adquirir o seguro com muita antecedência ou poucos dias antes do seu embarque. No entanto, as empresas podem recusar a cobertura em um prazo de 15 dias. Por ser um ponto importante da sua viagem, acho que é melhor contratar sempre antes! Caso tenha uma recusa, dá tempo de comprar outro. Boa parte das empresas não aceitam a contratação quando você já começou a viagem.

Há muitas empresas no Brasil para você escolher e que, além de oferecerem atendimento em português, estão sob as normas do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). Outras de fora já não têm essa comodidade.

Para quem pratica esportes radicais, um dos mais indicados é o World Nomads, mas não há atendimento no Brasil, muito menos em Português. Um site super indicado pelos viajantes é o Seguros Promo, onde você compara os preços dos serviços e ainda indica qual é a opção com melhor custo-benefício. Uma viagem de 20 dias para a Europa para um adulto, por exemplo, varia entre R$ 250 a R$ 1800.

Onde comprar

Você pode adquirir o seguro diretamente com as empresas ou através de agências de turismo, companhias aéreas e com a sua operadora de cartão de crédito. Além de checar o que consta na cobertura, vale verificar as exclusões, como acidentes ocorridos pelo consumo de álcool ou drogas, ou ainda a imprudência na hora de dirigir.

De acordo com a agência reguladora do setor de seguros, a Superintendência de Seguros Privados (Susep), há alguns pontos que o seguro não abrange:

  • Danos na mala ou nos objetos contidos nela durante o deslocamento na viagem;
  • Confisco da bagagem, caso seja retida na alfândega ou por outra autoridade de governo;
  • Perda de dinheiro de qualquer espécie.

Seguro viagem internacional do cartão de crédito vale a pena?

A operadora de cartão de crédito pode oferecer a cobertura de forma gratuita, desde que você compre as passagens aéreas com o cartão. Em alguns casos, para quem tem cartões nas categorias superiores (como platinum ou black), nem existe essa exigência, mas é preciso verificar com a operadora.

Antes de ir pelo que considera mais vantajoso, seja paciente e leia o contrato disponibilizado no site das empresas.

Empresas que oferecem seguro viagem internacional

AIG, Assist Card, Coris April, Easy, ITA Travel, Mondial Assistance, SegurViaje (Mapfre), TouristCard, Travel Ace, Vital Card, World Nomads.

 

E você, conhece alguém que vai viajar e precisa dessas e outras dicas? Compartilhe com elas! =)