Acho que todos os admiradores da Cidade Luz são unânimes em um ponto: a melhor forma de circular é a pé. Andar por suas ruas, avenidas, boulevards e descobrir todo o seu charme urbano. Mas, eventualmente, é necessário um meio de locomoção mais rápido e prático. Por isso, é importante conhecer o sistema de transporte em Paris.

A Régie Autonome des Transports Parisiens, conhecida como RATP, é a empresa responsável pelo transporte público na cidade e nos seus arredores. A rede é extensa, integrada e bastante eficiente.

Na área central de Paris, dificilmente você estará a mais de 10 minutos de caminhada de uma estação de metrô ou de uma parada de ônibus. É possível utilizar os mesmos bilhetes para qualquer meio de transporte e existem passes que ajudam a economizar se você for usar muito a rede.

A seguir, apresentamos as principais características de cada um dos meios de transporte, os bilhetes e passes disponíveis e também algumas dicas práticas para se locomover em Paris.

 

Os meios de transporte em Paris

Metrô

Dizem que não há nenhum ponto de Paris que esteja a mais de 500 metros de distância de uma estação de metrô. Provavelmente é verdade: são mais de 200 quilômetros de vias, conectando 303 estações distribuídas entre 16 linhas – todas numeradas de 1 a 14, além de duas pequenas linhas adicionais chamadas 3bis e 7bis.

Ele pode não ser o metrô mais limpo ou mais moderno do mundo, mas é um dos mais antigos: a primeira linha, que conectava Porte de Vincennes à Porte Maillot, foi inaugurada em 19 de julho de 1900.

Esta é, até hoje, uma das linhas mais importantes e certamente a mais utilizada pelos turistas. Isso porque corre embaixo da Rue de Rivoli e da Champs-Elysées, duas das principais vias da cidade, passando pela Bastilha, Hôtel de Ville, Louvre, Place de la Concorde e Arco do Triunfo.

A experiência já começa enriquecedora ao acessar o subterrâneo por um dos belíssimas pórticos em estilo Art Nouveau. Depois, vêm as paredes de tijolinho branco, os longos corredores onde músicos se apresentam e os enormes quadros com a programação cultural da cidade. O metrô é uma janela para a vida cotidiana dos parisienses e uma maneira de sentir-se parte da cidade.

Combinações – No geral, é muito tranquilo fazer baldeação entre uma linha e outra. Algumas estações, no entanto, são verdadeiros nós nessa imensa rede metroviária: conectam múltiplas linhas e também o RER (leia adiante sobre esses trens). Essas estações costumam ser muito grandes, com uma confluência enorme de passageiros e corredores às vezes labirínticos entre as diferentes linhas. Alguns exemplos são Chatelet, Montparnasse e Gare du Nord. Preste atenção nessas estações para não se perder e tenha cuidado redobrado com os seus pertences.

Horários – Não funcionar 24h é uma das desvantagens do metrô de Paris. O primeiro trem parte às 5h30 da manhã e o último chega ao final da linha por volta da 1h da manhã nos dias úteis, e 2h da manhã nos finais de semana e feriados. Programe-se para pegar o metrô 30 minutos antes do último horário.

 

 

RER

O Réseau Express Régional (RER) é uma rede de trens que conectam os subúrbios ao centro. São cinco linhas principais com diferentes ramificações – por esse motivo, são identificadas pelas letras A, B, C, D ou E, seguidas de um número.

É um meio pouco prático para usar dentro de Paris, exceto se a ideia for percorrer médias e longas distâncias, como de uma extremidade da cidade à outra. Está integrado ao metrô e, na região central, muitas vezes compartilha as estações com este.

Turistas usam o RER principalmente para ir a Versalhes (linha C5), à Disneyland Paris (A4), ao Aeroporto Orly (B4 + Orlyval) ou ao Aeroporto Charles de Gaulle (B3). Todos esses locais estão em zonas mais afastadas e, portanto, os bilhetes e passes têm tarifas mais caras (veja a seguir explicação sobre as zonas e passes).

Veja aqui o mapa da rede.

 

Ônibus

O grande trunfo de andar de ônibus é poder apreciar o charme de Paris durante a viagem. A rede também é extensa e vai a todos os cantos da cidade.

Algumas rotas em particular servem até de circuito turístico:

  • O 69 talvez seja o ônibus convencional mais turístico de todos. Começa próximo ao cemitério Père Lachaise, passa por Bastille, pelo Hôtel de Ville e pelo Louvre antes de cruzar o rio para Saint Germain; segue por este bairro na Rive Gauche até o Hôtel des Invalides e termina em Champs de Mars, com uma gloriosa da Torre Eiffel. O caminho é circular e retorna mais ou menos pelas mesmas ruas.
  • O 42 começa no Ópera Garnier, passa pela igreja Madeleine e pela Place de la Concorde no caminho para a avenida Champs-Elysées até o Arco do Triunfo; na sequência, percorre a elegante Avenue Montaigne, centro de todas as marcas de luxo, cruza o Sena e chega pela margem sul à Pont d’Iena, junto a Torre Eiffel.
  • O 72 percorre toda a margem direita do rio Sena, passando por: Hôtel de Ville, Louvre, Jardin des Tuileries, Place de la Concorde, ponte Alexandre III, Grand Palais e Trocadero, de onde se vê a Torre Eiffel. Na verdade, a rota continua, mas você pode descer aqui e fechar com chave de ouro (a continuidade do percurso não é tão bonita).

Como você pode ver, todas as rotas recomendadas terminam na Torre Eiffel. Acho que a vista dela desperta algum fascínio em mim!

É possível consultar os mapas das linhas no site da RATP. Além disso, a sinalização em todas as paradas de ônibus é muito boa, sempre com todas as informações do percurso.

Se estiver com pressa, evite andar de ônibus. O trânsito em Paris pode ser intenso, com engarrafamento e muito tempo perdido em frente à semáforos. No horário do rush então, nem pensar!

Outro grande benefício dos ônibus é que, diferente das estações de metrô com suas muitas escadarias e longos corredores, eles são ideais para pessoas com mobilidade reduzida.

De madrugada, entre 0h30 e 5h30, são os ônibus Noctilien que possibilitam a locomoção. Você pode conferir todas as rotas aqui.

 

Barco – Batobus

A maioria dos turistas almeja, em algum momento, navegar pelas águas do Sena e ver Paris de outro ângulo. E se eu te disser que você pode unir esse passeio ao seu deslocamento pela cidade? Uma alternativa mais interessante que os ônibus de dois andares e mais prático que o cruzeiro lacustre turístico.

Sim, o Batobus é uma espécie de barco-ônibus hop-on hop-off que percorre ambas as margens do Sena, possibilitando paradas em museus e outros atrativos próximos ao rio. O circuito completo tem 8 paradas:

– 5 na Rive Gauche: Torre Eiffel, Museu d’Orsay, Saint Germain, Notre-Dame e Jardin des Plantes

– 3 paradas na Rive Droite: Hôtel de Ville, Louvre e Champs-Elysées (ponte Alexandre III)

Você pode embarcar e desembarcar nas paradas que desejar, quantas vezes quiser, contanto que o seu passe esteja válido. O de um dia custa €17 e o de dois, €19; em cada uma das paradas há uma bilheteria. Mais informações aqui.

 

Táxi

Eu considero o táxi o transporte menos indicado, mas é bom ter as informações caso seja necessário. No geral, taxistas não são muito simpáticos e definitivamente nada falantes – calado você entra, calado você sai. A alta competitividade com o Uber e outros aplicativos de transporte urbano fez com que o serviço melhorasse um pouquinho, embora ainda não seja nenhuma maravilha.

A bandeirada custa €4 e cada quilômetro percorrido €1,07 (de 10h às 17h) ou €1,29 (de 17h às 10h); o valor mínimo da corrida é €7. Se você chamar por telefone ou aplicativo, tem um custo adicional de €4; bagagens e animais não são cobrados. Taxistas parisienses não tem problema em levar cinco passageiros, mas vão cobrar um extra de €4. Existem três centrais principais: Taxis G7, Taxis Bleus e Alpha Taxis.

 

Uber

Hoje, o Uber já se consolidou como meio de transporte em Paris. Costuma funcionar muito bem: você dificilmente espera mais de 5 minutos por um carro e as tarifas são bem mais econômicas que o táxi comum.

São cinco as categorias de carro:

– Uber Berline, equivalente ao nosso Black, com carros melhores e mais modernos, serviço mais exclusivo e preços naturalmente mais elevados;

– UberX, com carros mais populares e melhor custo-benefício;

– UberPOOL, alternativa mais econômica, em que você divide a sua rota com outros passageiros, numa espécie de carona compartilhada;

– UberVAN, perfeito para grupos, com vans que levam de 1 a 6 pessoas;

– UberGREEN, com carros híbridos ou elétricos, numa pegada sustentável por um custo similar ao UberX, porém com menor frota (e consequentemente mais tempo de espera).

 

Bike – Vélib

Lançada em 2007, a Vélib (união das palavras vélo + liberté) foi pioneira no sistema de empréstimo de bicicletas e se tornou exemplo internacional de mobilidade urbana.

Milhares de bicicletas de aluguel – as verdes são mecânicas e as azuis, elétricas – estão espalhadas em estações pela cidade e tanto locais quanto turistas utilizam o sistema regularmente.

Qualquer um pode comprar os bilhetes individuais, basta ter um cartão de crédito. Para quem não mora na cidade, vale a pena os passes de 24h (€5) ou 7 dias (€15).

Em ambos os passes, a primeira meia hora de uso da bicicleta mecânica é gratuita e da elétrica custa €1; a cada 30 minutos transcorridos, se paga um adicional de €1 para as bicicletas mecânicas e €2 para as elétricas. Um truque é usar as bicicletas para se locomover de um ponto a outro e entregar antes que os 30 minutos iniciais se completem. É uma maneira rápida, barata e divertida de circular pela cidade.

 

As zonas de transporte em Paris

Para entender as tarifas dos bilhetes e passes, e assim poder avaliar qual a melhor alternativa para a sua necessidade, é importante saber que Paris está dividida em zonas de transporte.

Elas são numeradas de 1 a 5, de dentro para fora, da região central para as mais afastadas. Isso significa que na zona 1 estão todos os 20 arrondissements da cidade (não sabe do que estamos falando? Esse é o primeiro post que você deve ler para entender como a divisão dos bairros funciona aqui).

São poucos os casos em que a necessidade de sair da zona 1 se apresenta para os turistas:

  • Versalhes (zona 4)
  • Aeroporto Orly (zona 4)
  • Aeroporto Charles de Gaulle (zona 5)
  • Disneyland Paris (zona 5)

Para esses locais, é necessário utilizar os trens regionais RER e comprar bilhetes que incluam as zonas visitadas.

 

 

Os bilhetes e passes de transporte em Paris

Ticket T+

Esse é o bilhete padrão para ser utilizado no metrô, no RER e nos ônibus da exclusivamente da zona 1.

O avulso custa €1,90 e o carnet 10 voyages, versão mais econômica com 10 bilhetes, sai por €14,50. Estão à venda nos caixas automáticos ou nos guichês das estações (à bordo dos ônibus, somente o unitário, a €2).

Um bilhete permite fazer a combinação do metrô para o RER (e vice-versa) num espaço de tempo de 2h entre a primeira e a última validação. No caso dos ônibus, o intervalo é de 1h30 e a única combinação possível é com outros ônibus. Você não pode, por exemplo, pegar primeiro o metrô e depois o ônibus; nesse caso, você teria que usar um segundo bilhete.

 

Mobilis

Passe que permite viagens ilimitadas em todos os meios de transporte por um dia (começa a valer a partir da meia noite e encerra às 23h59).

Seu valor depende do número de zonas que abrange:

1 zona > 1-2, 2-3, 3-4, 4-5 > €7,50
2 zonas > 1-3, 2-4, 3-5 > €10
3 zonas > 1-4, 2-5 > €12,40
4 zonas > 1-5 > €17,80

Esse passe não contempla nenhuma das conexões para os aeroportos, como o Orlybus e Orlyval, para Orly, ou Roissybus e RER B, para o Charles de Gaulle. É, no entanto, bastante útil para quem vai a Versalhes ou a Disneyland.

Visualmente, o Mobilis é muito parecido ao Ticket T+. Então cuidado para não confundir os bilhetes.

 

Paris Visite

É o passe de uso ilimitado criado especialmente para os turistas. Os preços variam conforme o número de dias (1, 2, 3 ou 5) e zonas cobertas (1-3 ou 1-5). O mais completo, das zonas 1 a 5 por cinco dias, chega a custar €65,80. Confira aqui todas as tarifas.

Apesar de caro, é um bilhete único prático, que serve para o deslocamento interno na cidade e também para os aeroportos e atrativos distantes.

 

Navigo Découverte

Uma boa alternativa para quem pretende usar muito o transporte, inclusive para as zonas mais distantes, durante vários dias. Basicamente, o Navigo Découverte é um cartão pessoal de uso ilimitado no período de vigência, que pode ser de uma semana ou um mês.

É possível adquiri-lo nos guichês das estações de metrô e também na loja da SNCF no Terminal 2 do Aeroporto Charles de Gaulle, no andar acima da plataforma dos trens RER B. Assim, se você chega nesse aeroporto, já pode economizar no passe o custo de deslocamento de lá para o centro da cidade.

O cartão custa €5 (não reembolsável) e a recarga semanal, €22,80. Mas atenção! Não é uma semana a partir da data de primeiro uso, mas sim da segunda-feira daquela semana, até o domingo. Por exemplo, se você chega numa sexta-feira terá somente três dias para usar o passe (ainda sim, sai quase a metade do preço do Paris Visite pelo mesmo período). Depois teria que comprar mais passes, ou colocar uma nova recarga semanal.

Por ser intransferível, você deve escrever no Navigo o seu nome e sobrenome, e também colar sua foto (tamanho 25 x 30mm). Então se a ideia é já usar no aeroporto, lembre de trazer uma foto 3×4.

 

Qual o melhor para mim?

Depende, do quanto você pretende usar o transporte público, do aeroporto ao qual você chega, dos atrativos distantes que pretende visitar e do tempo que permanecerá na cidade.

Não tem jeito, para saber qual o melhor passe (ou combinação de passes, no caso do Ticket T+ e do Mobilis juntos), você vai ter que sentar e colocar os custos na ponta do lápis.

Mas, para te ajudar, vamos fazer uma comparação simples.

  • Considere que 14 viagens tornam o Navigo Découverte mais econômico que o Ticket T+ (ou 19, considerando a compra de dois pacotes do Carnet 10 Voyages). Porém, o cartão não pode ser dividido entre duas pessoas, enquanto os bilhetes sim.
  • Se você levar em conta também um dia de deslocamento a Versalhes (que exigiria um passe Mobilis de €12,40), bastam 8 viagens para que o cartão valha a pena.
  • No caso de ir do Charles de Gaulle ao centro com o RER B, você gastaria €10 e, portanto, com mais 9 viagens já pagaria o equivalente ao cartão.

 

Foto de Shabai, via Flickr – Preset Mundo Mio

 

Dicas práticas para circular em Paris

  • Baixe o aplicativo Next Stop Paris, oferecido gratuitamente pela RATP. A interface é super intuitiva, o conteúdo está em português e as rotas de metrô podem ser calculadas mesmo sem conexão.
  • No caso de utilizar os bilhetes Ticket T+, guarde-os sempre até depois de sair do metrô, RER ou ônibus. Isso porque os fiscais da RATP podem estar à espreita, cobrando dos passageiros a comprovação de que eles pagaram o bilhete correto.
  • Se você estiver carregando malas grandes e/ou pesadas, pense duas vezes antes de encarar o metrô: quase nenhuma estação tem elevador ou sequer escada rolante.
  • Alguns vagões do metrô são antigos e exigem que você aperte um botão ou uma alavanca para abrir as portas.