No topo da bucket list da maioria dos viajantes que desejam conhecer a Islândia, está a experiência de alugar um carro e sair desbravando com afinco cada cantinho e beleza natural que o país tem a oferecer.

Neste estilo de viagem é possível planejar um roteiro flexível e, o melhor de tudo, no seu próprio ritmo. A vantagem é ter o seu tempo para curtir os cenários exóticos que aparecem pelo caminho e incluir paradas inesperadas em lugares onde não há ninguém mais.

Meu roteiro self drive teve 10 dias de duração, em setembro de 2018. No total, percorremos 2.700 km ao redor de toda a ilha pela Ring Road e paramos em mais de 35 pontos de interesse, entre atrações populares e vilarejos históricos de cem habitantes em meio às montanhas.

A Islândia não é somente o país mais lindo que já visitei, como também é o país mais seguro. No entanto, as estradas possuem alguns trechos precários, velocidade controlada e poucos acostamentos para emergência.

Nesse post, você terá todas as informações necessárias sobre as estradas e sobre como aproveitar sua viagem com segurança.

Leia também como planejar sua viagem para Islândia

 

Sobre a Golden Circle e a Ring Road

Mapa da Ring Road, estrada principal da Islândia

Mapa da Ring Road, estrada principal da Islândia

É raro encontrar alguém que queira viajar aleatoriamente e sem rumo pelo país. Este é um destino caro, e perder tempo significa perder dinheiro. O ideal é chegar com um roteiro preparado, que facilite a navegação, passe por várias atrações e otimize o seu tempo.

Para isso, existem algumas estradas que são referência:

  • Golden Circle: rota para conhecer as principais atrações naturais próximas da capital Reykjavík. Com um percurso de 230 km de distância, passa por pontos como o Parque Nacional Pingvellir, a área geotermal de Geysir e a cachoeira Gullfoss.
  • Ring Road: com um total de 1.332 km de extensão, essa é a estrada principal que dá a volta completa na ilha, passando por todas as principais regiões do país. A partir dessa rota, as estradas vicinais, menos desenvolvidas, levam para pontos extremos, com atrações menos turísticas e vilarejos históricos.  
  • Diamond Circle: considerada uma rota alternativa a Golden Circle, está localizada a 480 km da capital, na região noroeste da Islândia. Envolve atrativos como o lago Mývatn, a cachoeira mais forte da Europa, Dettifoss, os cânions de Asbyrgi e a pequena cidade de Húsavík, de onde partem os passeios de avistamento de baleias.

Para os que têm pouco tempo de viagem, entre 3 e 5 dias, o recomendado é curtir a capital e as atrações próximas, considerando a Golden Circle. Já para quem disponibiliza de 7 à 10 dias, pode se aventurar a completar a Ring Road e poucas atrações alternativas. Já para uma viagem completa, com todas as rotas, é necessário de 12 à 15 dias.

 

Ring Road: a estrada circular

Concluída em 1974, no mesmo ano de aniversário de 1.100 anos de assentamento do país, a Rota 1, popularmente conhecida como Ring Road, se tornou a preferência de viajantes que buscam explorar o maior número de atrações possíveis ao redor do país.

Em quase toda a sua extensão, a pista tem apenas duas faixas, uma para cada sentido. A boa manutenção e o asfaltamento da via a tornam transitável para qualquer tipo de veículo. Porém, em alguns trechos do leste da ilha, ainda é comum pegar pedaços de terra e cascalho, esburacadas, ou sob construção. Além disso, algumas estradas vicinais não possuem pavimento ou guard rail (proteção lateral da estrada), o que causa certa apreensão até a motoristas experientes.

O número de acostamentos é limitado e, algumas vezes, devido ao terreno íngreme e com pedrinhas, corre-se o risco de o carro atolar. O segredo é ir estudando a pista conforme dirige e decidir cuidadosamente onde parar, lembrando de tirar o carro completamente da pista.

Bastante comum são também os estrangulamentos da estrada para uma única faixa ou ponte, na qual passa somente um carro e nesse caso, é a lei do quem chega primeiro que funciona. Sem sinalização!  Como as pontes não possuem área de recuo, algumas vezes é preciso torcer para outro carro não entrar na ponte ao mesmo tempo que você, caso contrário, um dos dois terá que dar ré.

A velocidade média na auto estrada é de 90 km/h e nas estradas secundárias de 80 km/h. Em algumas ocasiões, próximos de centros urbanos, pode cair para 30 km/h.

Estrada sinuosa beirando o mar na costa leste da Islândia

Estrada sinuosa beirando o mar na costa leste da Islândia

 

Trajeto, distâncias e tempo de viagem

Ao iniciar sua jornada pela Ring Road, você pode escolher seguir sentido horário, rumo ao norte, ou sentido anti-horário, rumo ao sul. Apesar de ser uma mera escolha pessoal, recomendo iniciar pelo sul, onde há um maior número de atrações.

Isso porque, no início da viagem, estamos cheios de energia para dirigir e fazer várias paradas. Já no final, o corpo sente o cansaço dos muitos quilômetros rodados e é mais atraente a ideia de percorrer o norte, região onde os atrativos são mais espaçados e o ritmo é mais tranquilo.

O segredo é planejar suas paradas em um único sentido e priorizar as coisas que mais gostaria de ver. A verdade é uma: não dá tempo de ver tudo que gostaríamos, mas seguindo um planejamento dá pra conhecer muito bem o país, sem estresse.

De uma atração para outra, a média de tempo de deslocamento varia entre 30 minutos e uma hora. Por isso, é melhor não percorrer mais de 250 km por dia e incluir uma média de 4 paradas por dia. Afinal, o tempo de estrada e as paradas no meio do caminho acabam somando mais tempo do que imaginamos.

Viagem de carro na Islândia: visual das montanhas beirando a estrada

Uma das milhares de vezes que paramos na estrada para fotografar a paisagem

Radares

Tirando as vias próximas da capital, no restante do país,  não vimos sequer um único radar fixo. Há muitos painéis eletrônicos que alertam o motorista se ele está dirigindo dentro da velocidade permitida. O engraçado é que fazem isso através de emojis – felizes e tristes -, que piscam para cada veículo na estrada.

Em determinadas áreas, o controle é feito por policiais e câmeras de controle.

 

Pedágio

Ao norte de Reykjavík, um único pedágio é cobrado para acessar o túnel Hvalfjörður, que atravessa o fiorde de mesmo nome, abaixo do nível do mar. Este túnel conecta as regiões norte e oeste do país e é uma alternativa a estrada comum, encurtando uma jornada de uma hora para 7 minutos. O valor do pedágio é de 1000 isk e pode ser pago em dinheiro ou cartão de crédito.

 

Postos de Gasolina

Ao contrário do que imaginávamos, os postos de gasolina não são tão afastados e estão espalhados por todo o país. Um exemplo é a rede N1, décima maior empresa da Islândia, que tem mais de 170 franquias. De qualquer forma, para evitar riscos, nunca deixe o tanque do carro com menos de um quarto de combustível.

Por segurança, quando for parar para um lanche, ou banheiro, aproveite a parada e já encha o tanque. O valor do diesel em setembro estava entre 220 e  229 isk, uma média de R$8 por litro.

 

GPS x Google Maps

A maioria das atrações não possui endereço específico, por exemplo, a famosa montanha de Kirkjufell, que fica entre uma cadeia de montanhas. Por isso, a melhor forma de navegar é com um GPS e através de coordenadas. Neste caso, você terá que se familiarizar com isso:  64°55’39.6″N 23°18’23.5″W.

Mas apesar do GPS ser prático, ter o Google Maps em mãos te mostrará rotas alternativas e, possivelmente, mais rápidas. Mas cuidado, siga esses caminhos apenas se você tiver alugado um bom carro 4×4 – você nunca sabe as condições da estrada.

Independente do dispositivo que for utilizar, nunca o carregue na mão durante o ato de dirigir. Por ser ilegal, pode resultar em multas altíssimas de 320. Se precisar, leve um dispositivo para fixar no vidro do carro ou deixe-o com seu co-piloto.

GPS posicionado no carro percorrendo estrada na Islândia

 


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Estacionamentos

Na capital, é necessário pagar para estacionar em área pública. Quanto mais próximo da região central, mais caro fica.

Para o resto do país, tirando algumas atrações do Golden Circle que cobram por estacionamento, o resto é gratuito e possui apenas áreas demarcadas que devem ser respeitadas.

Na alta temporada, os estacionamentos são super lotados, mas a rotatividade é rápida. Não compensa parar muito longe, melhor procurar por vagas próximas da entrada.

Parada em frente Kirkjufell, uma das atrações mais famosas da Islândia

Estacionamento no meio da estrada para visitar a montanha Kirkjufell

 

Segurança

Os turistas tendem a ser péssimos motoristas na Islândia. Não propositalmente, mas há muitas distrações na estrada, muitos desrespeitam as leis de trânsito, fazem paradas abruptas, inventam acostamentos, faz retorno no meio da pista e  usa celular ou câmera enquanto no volante.

Além disso, as estradas sinuosas, com muitos pontos cegos, estrangulamento de pista, risco de animais atravessarem a pista, somadas às adversidades climáticas, como vento e chuva, se tornam perigosas.

Cinto de segurança é obrigatório para todas as pessoas e não seguir essa orientação pode te custar uma multa de até 160.

 

 

Dicas que irão salvar a sua Road Trip pela Islândia

 

Ju e Dani na beira da estrada

Vá acompanhado

Neste caso, viaje com alguém que também possa dirigir e dividir as longas horas atrás do volante. Quem dirige o tempo todo perde a oportunidade de curtir a estrada ou descansar.

É necessário pagar uma taxa extra pra isso, mas vale a pena dividir a responsabilidade. Na minha locadora, o custo para motorista adicional é de USD 25.

 

Tenha um mapa impresso

Ter uma visão ampla do país, facilita na hora de planejar uma ou outra parada fora da rota. Além disso, imprevistos com internet ou mal funcionamento dos aparelhos eletrônicos podem vir a acontecer.

 

 

Saiba o que você quer conhecer

Apesar de ter milhares de roteiros na internet, a verdade é que quando você chega lá, não há tempo suficiente para fazer tudo o que gostaria. Nesse caso, você terá que priorizar.

Na minha lista, havia dezenas de coisas que eu gostaria de ver todos os dias, mas contando as distâncias e o tempo a ser percorrido entre uma atração e outra, torna-se impossível completar o roteiro. Por exemplo, eu tive que deixar de conhecer o avião abandonado em Sólheimasandur para visitar a praia Reynisfjara. E tive que cortar a cachoeira Skógafoss para fazer o passeio no Glaciar Solheimajokull

Tudo na vida são escolhas. Mas deixar para tomar decisões de última hora é um contratempo para esse tipo de viagem.

 

Não deixe para dirigir muito tarde

As estradas são precárias de iluminação e as condições climáticas são imprevisíveis. Deixar para dirigir muito tarde pode não só comprometer as preciosas horas de descanso, como também pode ser perigoso.

Cuidado com a ilusão do sol da meia noite. Apesar da sensação de aproveitar mais o dia, também gera cansaço excessivo. Saiba balancear o planejamento.

 

Snacks, snacks, snacks..

A refeição principal dos viajantes na Islândia são sanduíches, frutas e snacks no carro. Não porque falte restaurantes, mas sim pelo tempo escasso.

É muito prático ter snacks no carro para evitar parar a todo momento. Além disso, é muito mais gostoso parar para se esticar em um ponto para piquenique no meio da estrada com a vista incrível do mar e das montanhas.

 

Internet is everything

Em uma viagem de carro pela Islândia, não há como ignorar o fator internet. Navegar com GPS, checar as condições das estradas, ligar para uma emergência ou procurar informações no google exigem internet.

Além desses usos, é uma boa ter uma playlist no Spotify para dar um up nas longas horas de viagem ou mesmo audiolivros.

 

Invista em uma garrafa térmica

Um café quentinho a qualquer hora do dia pra dar mais energia e esquentar nos dias frios. Esse foi um dos utensílios principais da viagem e nos salvou nos momentos de cansaço e do tempo frio e chuvoso.